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terça-feira, 12 de abril de 2011
O Cantar do Sul em Porto Alegre
Nos dias 15 e 17 desta semana de Abril, um autêntico recital da alma do Sul, do cantar, do sentir poético e fazer melódico da gente sureña, será apresentado na Capital. Roberto Borges, cantor, instrumentista e compositor, e Aluísio Rockembach, acordeonista e compositor, "regalam" ao público que for ao Boteco Tchê, uma amostra sensível, genuína, e de qualidade da musicalidade e cultura do homem do campo da América Meridional, da Pampa, o gaúcho ou el gaucho. Oriundos da região Sul do Rio Grande do Sul, situando Santa Vitória do Palmar e Pelotas, os dois trazem os rastros dos resquícios mais sinceros, singelos e líricos da paisagem Pampa e da alma de sua gente.
Abaixo, um vídeo que mostra um pouco do que aguarda os amigos que forem nas noites de Sexta-Feira e Domingo no Boteco Tchê.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Atahualpa Yupanqui, guia e luzeiro da Pampa
No dia 31 de Janeiro, os paisanos da América Pampeana, e as pessoas que em qualquer canto do mundo se identificam com o canto folclórico da Pampa, tiveram um lindo motivo para celebrar a cultura da nossa terra. Pois neste dia, no ano de 1908, nasceu em Pergamino, Província de Buenos Aires, Héctor Roberto Chavero Aramburo, que quando assumiu sua carreira mais que artística, de payador, cantador e compositor de sua terra crioula e de toda Pampa, adotou o codinome de Atahualpa Yupanqui. Tendo que "ganhar a vida" desde muito cedo, Atahualpa laborou no campo e na cidade, e quando foi tentar a sorte de cantador e instrumentista em Buenos Aires, Capital Federal, amargou a falta de sensibilidade com que os portenhos à época, recebiam o puro canto da terra. Muitas passagens de sua vida, e a realidade sócio-cultural dos paisanos das várias regiões e províncias "gauchas" da Argentina, estão relatadas e entrelaçadas com sua própria identidade de paisano cantador, compositor e homem da terra, na obra "El Payador Perseguido", poema revestido por milongas, cifras, bagualas, gatos que contam entre melodia e verso, da maneira mais genuína, a vida dos paisanos, do homem campeiro de seu país. Penso que "El Payador Perseguido" de Yupanqui equivale para os gaúchos do século XX, o que foi o Martin Fierro de Jose Hernández para os gaúchos do século XIX.
A sensibilidade terrunha e a ternura melódica da guitarra de "Don Ata", logo transcenderam os ermos e rincões da Pampa, para ganhar definitivamente o coração e o gosto das platéias pelo mundo todo. Todo o Continente Americano, até o México, Europa e incrivelmente o Japão. Neste caso, encontro um nexo; os japoneses assim como Atahualpa, cultuam e respeitam seus ancestrais, percebendo nos valores dos mais velhos e nas lições da terra e seus nativos, os motivos para a evolução do espírito, e quem sabe da humanidade.
Vamos acompanhar abaixo este link do youtube, com o desempenho do mestre Atahualpa Yupanqui para Estilo de Quijano, uma bela pasiagem pampeana ao entardecer e a luz da melodia, complementando a essência e unidade do momento.
A sensibilidade terrunha e a ternura melódica da guitarra de "Don Ata", logo transcenderam os ermos e rincões da Pampa, para ganhar definitivamente o coração e o gosto das platéias pelo mundo todo. Todo o Continente Americano, até o México, Europa e incrivelmente o Japão. Neste caso, encontro um nexo; os japoneses assim como Atahualpa, cultuam e respeitam seus ancestrais, percebendo nos valores dos mais velhos e nas lições da terra e seus nativos, os motivos para a evolução do espírito, e quem sabe da humanidade.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Lembrando do Payador, da Pampa e da Guitarra
No dia 8 de Julho, completaram-se 11 anos do falecimento de Jayme Caetano Braun. Poeta e payador de característica inigualável, que deixou uma obra iluminada de telurismo, autenticidade, raízes e cosmovisão, ou seja, um canto genuinamente gaúcho com dimensão universal. Jayme, através de seus versos e payadas, iluminou o horizonte do povo gaúcho, e o principal, das novas gerações, dos jovens que buscam nas poesias do payador, a consciência e o lirismo que se encontra escasso no mundo de hoje.
Vejo Jayme Caetano Braun como um guia da cultura gaúcha ou até mesmo de quem busque valores humanos, do amor à vida, à natureza, percebendo este planeta como uma grande pátria de irmãos, comungando a fraternidade e amizade junto ao grande ventre da Terra.
Compôs com Noel Guarany, o canto principal da sonoridade crioula da música e da poesia do Rio Grande do Sul. Juntos, trascenderam fronteiras, reunindo num mesmo disco, temas do folclore uruguaio e argentino, além de suas próprias autorias, e a musicalidade de Los Caminantes; o violonista Bartolomeu Palermo e o acordeonista Raul Barboza, argentinos, que embuídos da mesma essência nativa de Jayme e Noel, participaram da gravação do trabalho fonográfico, que foi o divisor de águas da cultura nativa pampeana, o LP "Payador, Pampa y Guitarra".
Ao escutar o clássico "Payador, Pampa y Guitarra", me descortina um céu azulado, temperatura gelada - coincidentemente estamos atravessado um "friozito" desses - a calmaria histórica do calçamento das ruas, o arvoredo da praça dando compasso ao vento, os ensinamentos e os conselhos de Eron Vaz Mattos e Hipólito Morais, que meu amigo Augusto, filho do Hipólito, e eu ouvíamos desses mestres, num matear atento e curioso da nossa adolescência. E levando a vista "más adelante", o horizonte pampeano que contorna a cidade de Bagé.
Passaram-se 15 anos, transformações profundas ocorreram em nosso sistema de vida, entramos na era da instantaneidade: do consumo, das comunicações, das relações humanas, nos distanciando da essência da vida.
Porém, existe algo, que trago lá de 1995, nos momentos de telurismo, amizade e consciência com os amigos de Bagé, e dos tantos que encontrei tempo a fora, um canto, um mantra pode-se assim dizer, que estanca o imediatismo inventado pelo homem e me reporta à autêntica e legítima consciência do Ser; quando escuto os acordes e os versos eternos de Jayme Caetano e Noel Guarany, quando escuto "Payador, Pampa e Guitarra".
Vejo Jayme Caetano Braun como um guia da cultura gaúcha ou até mesmo de quem busque valores humanos, do amor à vida, à natureza, percebendo este planeta como uma grande pátria de irmãos, comungando a fraternidade e amizade junto ao grande ventre da Terra.
Compôs com Noel Guarany, o canto principal da sonoridade crioula da música e da poesia do Rio Grande do Sul. Juntos, trascenderam fronteiras, reunindo num mesmo disco, temas do folclore uruguaio e argentino, além de suas próprias autorias, e a musicalidade de Los Caminantes; o violonista Bartolomeu Palermo e o acordeonista Raul Barboza, argentinos, que embuídos da mesma essência nativa de Jayme e Noel, participaram da gravação do trabalho fonográfico, que foi o divisor de águas da cultura nativa pampeana, o LP "Payador, Pampa y Guitarra".
Ao escutar o clássico "Payador, Pampa y Guitarra", me descortina um céu azulado, temperatura gelada - coincidentemente estamos atravessado um "friozito" desses - a calmaria histórica do calçamento das ruas, o arvoredo da praça dando compasso ao vento, os ensinamentos e os conselhos de Eron Vaz Mattos e Hipólito Morais, que meu amigo Augusto, filho do Hipólito, e eu ouvíamos desses mestres, num matear atento e curioso da nossa adolescência. E levando a vista "más adelante", o horizonte pampeano que contorna a cidade de Bagé.
Passaram-se 15 anos, transformações profundas ocorreram em nosso sistema de vida, entramos na era da instantaneidade: do consumo, das comunicações, das relações humanas, nos distanciando da essência da vida.
Porém, existe algo, que trago lá de 1995, nos momentos de telurismo, amizade e consciência com os amigos de Bagé, e dos tantos que encontrei tempo a fora, um canto, um mantra pode-se assim dizer, que estanca o imediatismo inventado pelo homem e me reporta à autêntica e legítima consciência do Ser; quando escuto os acordes e os versos eternos de Jayme Caetano e Noel Guarany, quando escuto "Payador, Pampa e Guitarra".
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