terça-feira, 12 de abril de 2011

O Cantar do Sul em Porto Alegre


Nos dias 15 e 17 desta semana de Abril, um autêntico recital da alma do Sul, do cantar, do sentir poético e fazer melódico da gente sureña, será apresentado na Capital. Roberto Borges, cantor, instrumentista e compositor, e Aluísio Rockembach, acordeonista e compositor, "regalam" ao público que for ao Boteco Tchê, uma amostra sensível, genuína, e de qualidade da musicalidade e cultura do homem do campo da América Meridional, da Pampa, o gaúcho ou el gaucho. Oriundos da região Sul do Rio Grande do Sul, situando Santa Vitória do Palmar e Pelotas, os dois trazem os rastros dos resquícios mais sinceros, singelos e líricos da paisagem Pampa e da alma de sua gente.
Abaixo, um vídeo que mostra um pouco do que aguarda os amigos que forem nas noites de Sexta-Feira e Domingo no Boteco Tchê.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Luiz Marenco e o Primeiro Canto

O Primeiro Canto

É nesta Terça, 5 de Abril de 2011, às 20h30min.
A comemoração do 1º Ano do Programa Continente Pampa, conduzido pelo poeta e compositor Sérgio Carvalho Pereira, e vai ao ar pela 106.7 FM de Rio Grande, emissora da FURG - Fundação Faculdade de Rio Grande e pela web no www.furgfm.furg.br

Para celebrar este grande momento da cultura da terra, a apresentação de Luiz Marenco, acompanhado do violão de Luciano Fagundes e do acordeón de Aluísio Rockembach, num resgate musical que remete à uma maneira mais pura e ancestral de lidar com a musicalidade do Pampa. Uma nova e antiga experiência que estes três grandes nomes do nativismo trazem nesta noite, para homenagear o programa Continente Pampa, que tem na condução do Sérgio Carvalho Pereira, a garantia do canto genuíno de amor à terra pampeana, e apresentada com a sensibilidade, qualidade e responsabilidade dos humildes e sábios. Uma produção esmerada, com muita pesquisa e conhecimento de causa, conferem ao Continente Pampa, talvez a melhor audição de rádio de um programa voltado para a difusão dos principais nomes, obras, autores e contexto da musicalidade e poética da Pampa Sul-Americana.

Há tanta charla!

Buenas meus amigos. De volta às postagens neste espaço. Tive muito trabalho de comunicação e jornalismo no mês de Março, tendo de fazer plantão em vários horários, o que dificultou minha concentração para o blog. Mas não posso deixar passar um mês em branco. Perdoem o descaso. Vamos de agora em diante, mantê-lo firme, atualizado!
Também se acumulam idéias, assuntos, anseios conversarmos e matearmos neste fogo grande que se acende da cultura nativa do Pampa Sul-Americano.
Aproveitar que estamos no início de Abril, mês de aniversário do meu avô materno, em sua memória, e do amigo e colega jornalista, Vicente Fonseca, e a todos leitores que passarem por este blog, especialmente em Abril, não poderia deixar de "linkar" um video do Youtube, com imagens da cidade de Minas no Uruguay, no mês de Abril, que inspirou os compositores Santos Inzaurralde e Santiago Chalar, a comporem "Minas y Abril", um dos mais lindos temas do cancioneiro uruguaio e pampeano.
Fazendo referência também aos usuários que captaram/ fotografaram as imagens e às postaram no Youtube sincronizando-as com a música Minas y Abril, num belo momento para fazer "costado" para o mate de manhã cedo ou do final da tarde, ou mesmo para recompor as energias à qualquer hora do dia.
Repito, todo o crédito e mérito das imagens são dos usuários que estão identificados com seu devido login no Youtube. Apenas mostro o caminho das coas buenas que vou "campeando" pela web.



A cidade de Minas, está situada no Departamento de Lavalleja, República Oriental del Uruguay, e sua fundação data de 1783, com o nome de Villa de la Concepción de las Minas. Está a 121 km, à Nordeste de Montevideo. Sua população em 2004, era de quase 38 mil habitantes.
O cantor e compositor Santiago Chalar, natural de Minas, além de cantar sua terra, foi médico no Hospital local, atendendo os pacientes, do tratamento clínico à terapia musical, pois nos momentos de folga, tomava a guitarra nas mãos e cantava para as pessoas hospitalizadas.
Santiago Chalar, seu nome artístico. De batismo, Carlos Paravís. Chalar, vem do charrua "inchalar", que significa, amigo, amizade.

Especial escrever e matear novamente aqui com vocês. Com as imagens de Minas, tão semelhantes à Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul, por onde passa o rio Camaquã, com o cantar do Santiago Chalar, e a luz do Outono. Já observaram a luz solar no inicío das tardes do mês de Abril, desses dias que estamos vivendo?
Nas flores que brotam rosadas das paineiras, e na tinta azulada do céu nesta época. Procurem observar o horizonte, até umas 17h50min, num dia de céu limpo em Abril, e sintam a alegria de se estar vivo!
Como diz a música: "qué se Diós baja en la Tierra, en el alto desas sierras, baja en Minas y Abril".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Campo, cultura e meio-ambiente


Buenas amigos. Este blog tem o compromisso com a cultura do campo da Pampa Sul-Americana.
A cultura, para ser identificada, necessita de elementos que a fundamentem. Uma região, um espaço, um dialeto, uma forma de organização ou produção, por mais primitiva que seja, e deste conjunto de aspectos, nasce num indivíduo, num conjunto de pessoas, ou no povo, uma maneira de expressão, de relação, de manifestação perante um espaço maior e sociedades distintas. Perceber estes traços, é perceber algum tipo de cultura.
Mas antes das culturas, dos símbolos, dos ritos, das instituições, dos homens, estavam a terra, a natureza, os rios, os campos, os oceanos, a Terra intacta. O transcurso da história da humanidade até os tempos atuais, os avanços, retrocessos, guerras, destruição e vida, equilíbrio e desequilíbrio, resultaram da relação positiva ou negativa, do homem com a natureza. As sociedades, os povos, as aldeias que a preservam e têm consciência da sua vitalidade para o planeta, são mais harmoniosas, justas, equilibradas, e ainda podem se distanciar dos radicalismos políticos, tanto na esquerda quanto na direita. Em suma, a preservação do meio ambiente, com base na educação mental, individual e posteriormente coletiva, gerará uma sociedade mais evoluída quanto à consciência, e ao bem-estar físico e espiritual.
Por tudo isso, recomendo o link acima, Alianza del Pastizal, projeto que tem por objetivo a preservação ambiental do bioma Pampa desde a Argentina (onde se originou o projeto), Uruguai, Brasil e Paraguai, visando uma produção sustentável da pecuária e de outras culturas agrícolas que se adaptem ao bioma, e não o contrário. A coordenação da Alianza del Pastizal no Brasil está a cargo do competente e sério Engº Agronomo Rogério Jaworski, formado pela UFRGS, de relevante trabalho junto à preservação do campo nativo da região da Campanha do Rio Grande do Sul e a busca pela produção pecuária sustentável.

Como de costume, abaixo relacionamos um bom video musical, para matearem enquanto os amigos pensam na importância da preservação dos biomas terrestres, nosso caso o Pampa, e os aspectos que resultam de um ecossistema bem cuidado; além de um adequado e justo desenvolvimento econômico, os aspectos sociais e culturais que configuraram o tipo antropológico do gaucho comum das três pátrias (Uruguai, Argentina e Brasil) e pela Pampa num bioma que atravessa a fronteira destes três países, unindo os povos nessa região, sob um luzeiro identificado pela cultura da terra.
Agradeço o usuário (a) do youtube por ter postado estas belezas da terra sureña. Saludos e um bom mate!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Atahualpa Yupanqui, guia e luzeiro da Pampa

No dia 31 de Janeiro, os paisanos da América Pampeana, e as pessoas que em qualquer canto do mundo se identificam com o canto folclórico da Pampa, tiveram um lindo motivo para celebrar a cultura da nossa terra. Pois neste dia, no ano de 1908, nasceu em Pergamino, Província de Buenos Aires, Héctor Roberto Chavero Aramburo, que quando assumiu sua carreira mais que artística, de payador, cantador e compositor de sua terra crioula e de toda Pampa, adotou o codinome de Atahualpa Yupanqui. Tendo que "ganhar a vida" desde muito cedo, Atahualpa laborou no campo e na cidade, e quando foi tentar a sorte de cantador e instrumentista em Buenos Aires, Capital Federal, amargou a falta de sensibilidade com que os portenhos à época, recebiam o puro canto da terra. Muitas passagens de sua vida, e a realidade sócio-cultural dos paisanos das várias regiões e províncias "gauchas" da Argentina, estão relatadas e entrelaçadas com sua própria identidade de paisano cantador, compositor e homem da terra, na obra "El Payador Perseguido", poema revestido por milongas, cifras, bagualas, gatos que contam entre melodia e verso, da maneira mais genuína, a vida dos paisanos, do homem campeiro de seu país. Penso que "El Payador Perseguido" de Yupanqui equivale para os gaúchos do século XX, o que foi o Martin Fierro de Jose Hernández para os gaúchos do século XIX.

A sensibilidade terrunha e a ternura melódica da guitarra de "Don Ata", logo transcenderam os ermos e rincões da Pampa, para ganhar definitivamente o coração e o gosto das platéias pelo mundo todo. Todo o Continente Americano, até o México, Europa e incrivelmente o Japão. Neste caso, encontro um nexo; os japoneses assim como Atahualpa, cultuam e respeitam seus ancestrais, percebendo nos valores dos mais velhos e nas lições da terra e seus nativos, os motivos para a evolução do espírito, e quem sabe da humanidade.

Vamos acompanhar abaixo este link do youtube, com o desempenho do mestre Atahualpa Yupanqui para Estilo de Quijano, uma bela pasiagem pampeana ao entardecer e a luz da melodia, complementando a essência e unidade do momento.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pra iluminar o caminho do Ano que começa

Escrevo estas linhas aqui na Capital, enquanto a chuva constante e mansa deixa a benção natural lá fora. Que as correntes de vento e os movimentos do clima não esqueçam da região da Campanha do Rio Grande do Sul, e acalmem o tempo pelo Sudeste brasileiro.
Porém, muita coisa linda nesta transição de ano, através da companhia dos amigos e familiares nos mates¹, num assado², ou numa guitarreada³ e a nossa alma iluminada nestes momentos. Dos encontros com o Guaíba entre a Tristeza e Assunção, e o murmúrio de suas águas que me trazem a melodia mais ao Sul ainda, da Costa Doce da Lagoa dos Patos.
E dentre essas "cosas buenas" que vivenciamos, quero compartilhar o momento telúrico desta composição chamada "Um Quarto de Ronda ao Campo", de autoria de Miguel Cimirro(In memorian), Matheus Neves da Fontoura e Juliano Moreno, e participou da 4ª Edição da Manoca da Canto Gaúcho, na cidade de Santa Cruz do Sul. Um tema dos mais puros que tenho escutado nestes meus 30 anos de vida. Uma melodia que faz bem e adoça a alma, e uma poesia que eleva o espírito, trazendo consciência e plenitude para seguirmos adiante. A letra remete às toadas e tropas, estilo que os tropeiros cantavam para entreter o tempo nesta lida, e questiona nos dias de hoje, onde está essa autenticidade de alma, de canção e lida campeira. Certamente, ela se reencontra na alma dos seus autores, no cantar incontestável do Juliano Moreno, e no sentimento dos amigos e leitores que passam por este espaço. Um forte abraço!

1. Mates - plural de mate, o chimarrão, bebida de origem indígena, consumida pela nação Quíchua do Alto Peru e Argentina e que se ambientou entre os índios guaranis. Se consome quente.

2. Assado - maneira que se denomina o churrasco de carne bovina ou ovina na região da fronteira do Rio Grande do Sul com Uruguai e Argentina.

3. Guitarreadas - reunião de amigos que cantam canções da Pampa, entre milongas, chamarras, chamamés, zambas e toadas e se acompanham com a guitarra(violão), durante uma roda de mate ou no preparo de um assado.

Guaíba - rio ou lago que banha o município de Porto Alegre e faz a ligação do rio Jacuí com a Lagoa dos Patos

Tristeza e Assunção - bairros localizados na Zona Sul de Porto Alegre, com rara beleza natural, se estendendo até a beira do Guaíba, num ecossistema que caracteriza a Costa Doce do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Solidariedade e respeito à Terra

Buenas amigos. Recomeçando a lida aqui em nosso espaço terrunho, depois de dias sem postar nada, reavivo o braseiro e começo a cevar o primeiro mate de 2011.
Ano que chega convocando gaúchos e brasileiros para a ação e reflexão de solidariedade. O clima neste início de ano, tem posto à prova brasileiros de quase todas as regiões. Da seca no Sul do Rio Grande à enxurrada no Sudeste do país, vemos os extremos da escassêz d´àgua para a população e também para a produção de alimentos, afetando campo e cidade, enquanto que no Centro, nossos irmãos sofrem com o excesso de chuvas, que resultou talvez na pior catástrofe climática da história recente do Brasil. As imagens de desolação, principalmente com as perdas humanas no Rio de Janeiro, a mídia mostra incessantemente. Cabe a nós agirmos da maneira que for possível neste momento, e para isso existem os pontos de recolhimento de mantimentos, como água, alimentos não perecíveis e roupas que podem ser encaminhados para a Defesa Civil do RS, no Armazén 7 do Cais do Porto, na Avenida Mauá em Porto Alegre.
Fica aqui a reflexão sobre o exercício de solidariedade que 2011 vem nos trazer e uma reflexão mais profunda quanto ao clima: sabemos que o Verão na região do Pampa tem a característica de ser mais seco em alguns anos e que as chuvas torrenciais atingem regularmente o mês de Janeiro no centro do país. Mas a intensidade com que isto acontece preocupa, e serve de alerta para as pessoas repensarem sua relação e atitude com o meio ambiente, e o poder público reformular de maneira sustentável a ocupação urbana no Brasil.