segunda-feira, 9 de julho de 2012
Pra beber água na origem
Nesse Domingo, 8 de Julho, transcorreu treze anos da passagem do payador e poeta Jayme Caetano Braun para um plano maior. Recordo algumas oportunidades que convivi com o poeta, na verdade duas vezes; a primeira, quando tinha 4 ou 5 anos, meu pai havia me levado para assisti-lo junto a ninguém menos que Cenair Maicá e Chaloy Jara, no parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura em Dom Pedrito. E a segunda vez, na Expointer em Esteio, tinha eu 12 anos, no "stand" do laboratório em que meu pai trabalhava. Dois momentos que transformam a vida de qualquer ser humano. Gostaria que todas as crianças do mundo, tivessem um contato com algum mestre deste quilate, ou que os pais oportunizassem encontros assim para seus filhos. Para que estes conheçam os vaqueanos dos caminhos da sua terra, do seu povo, das suas origens. Continuarei a postar mais artigos sobre Jayme Caetano Braun.
Agradeço como a infinitude do horizonte, ao meu pai e ao mestre e Payador Jayme Caetano Braun, por me ensinarem a farejar o cheiro da terra. Aqui vai também, uma menção especial aos músicos Noel Guarany, Cenair Maicá, Chaloy Jara, Lúcio Yanel, Leonel Gomez e Luiz Marenco, que contribuíram a espalhar de forma sonora a gaúcha e humana mensagem de Jayme, o universal canto da humanidade, na musicalidade pura dos ancestrais charruas e guaranis, que deixaram no tempo, neste portal, o verdadeiro lastro de amor por esta terra, digo também, Terra!
Marcos Almeida Pfeifer
Porto Alegre, 09 de Julho de 2012 - Lua Cheia
A imagem abaixo é da Praça das Carretas na cidade de Bagé, e fica à 3 km dos Cerros de Bagé, onde antes de 1800 foi reduto de índios charruas, e antes da chegada dos brancos pelos idos de 1700 conviviam em plena harmonia com a natureza e o meio ambiente. Vale lembrar que estas civilizações indígenas nos entregaram os recursos naturais limpos e quase que intactos.
Esta imagem me transmite muita inspiração, uma região crioula na fronteira, cujos elementos históricos estão ligados à essência do que Jayme Caetano Braun cantava, procurando beber água na origem, de seus antepassados charruas e guaranis.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Buenas amigos. A quem interessar possa, dilvugo abaixo um interessante evento que será realizado pela Universidade Federal de Pelotas(RS. Não é muito comum, o âmbito acadêmico tratar, debater e apresentar alguns aspectos da fronteira entre Rio Grande do Sul e Uruguay. Fronteira que vem se descaracterizando de forma positiva, quanto ao seu conceito. Fronteira que mais une do que separa. A cultura pela música e poesia, e o olhar do povo fronteiriço, de compreender a Pampa, neste elo de campo e céu, que une Uruguaios e Brasileiros, sobretudo entre Santana do Livramento e Rivera, e Aceguá dos dois lados(antes distrito de Bagé), projetam uma nova maneira de integração social e humana, onde os habitantes dos dois lados da fronteira, se identificam no que tempos atrás foi diferença, e se complementam no ponto de vista econômico, quanto às necessidades e qualidades que cada lado oferece. Talvez este passado fronteiriço não tenha sido de tanta diferença. O que os governos tentaram separar, o povo tratou de unir pelo fraterno convívio dos humildes, da sensibilidade e sabedoria de valorizar o simples, e fazendo a paz com a história, numa diária lição de vida e humanidade ao mundo dito pós-moderno.
Portanto aí a sugestão deste importante painel que se desenha para os próximos dias de Maio.
CIM promove seminário A Fronteira em Debate
26 de Abril de 2012
Numa promoção do Centro de Integração do Mercosul e Núcleo de Estudos Fronteiriços da UFPel, será realizado no dia 22 de maio, no auditório Simon Bolívar (Centro de Integração do Mercosul) o seminário A fronteira em debate. As atividades serão desenvolvidas nos turnos da manhã e da tarde, com as presenças de painelistas da UFPel, UFRGS e UFRJ.
Estarão em discussão temas como o uso do modal hidroviário para o transporte através da Lagoa Mirim, integração étnica em regiões de fronteira, o papel da mídia na integração fronteiriça, entre outros. Veja a íntegra da programação:
PROGRAMAÇÃO
08h30min - Abertura Oficial
Prof. Antonio Cesar Gonçalves Borges – Reitor da UFPel
Prof. Manoel de Souza Maia – Diretor da Agência de Desenvolvimento da Lagoa Mirim/UFPel
Prof. Maurício Pinto da Silva – Coordenador do Seminário A Fronteira em Debate
09h00 – Conferência de Abertura
O papel da Universidade Federal de Pelotas na Fronteira do Mercosul
Prof. Antonio Cesar Gonçalves Borges – Reitor da UFPel
Moderador: Prof. Manoel de Souza Maia - Diretor da Agência de Desenvolvimento da Lagoa Mirim
10h00min – Palestra I – O Uso do Modal Hidroviário para o Transporte de Arroz através da Lagoa Mirim na fronteira Brasil-Uruguai
Profa. Raquel da Fonseca Holz – Centro de Integração do MERCOSUL/UFPel
Moderador: Prof. Celso Elias Corradi - Centro de Integração do MERCOSUL/UFPel
10h45min – intervalo/café
11h00min – Palestra II – Afro-brasileiros e Afro-uruguaios: integração étnica na fronteira Aceguá/BR-Acegua/UY
Profa. Francine Joseph – Centro de Integração do MERCOSUL/UFPel
Moderador (a): Profa. Maria de Fátima Bento Ribeiro – Centro de Integração do Mercosul/UFPel
11h45min – Intervalo/Almoço
14h00min – Palestra III – Marcas da integração fronteiriça: da mídia local para o espaço global.
Profa. Karla Muller – Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação/PPGCOM da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS
Moderador (a): Profa. Renata Azevedo Requião – Centro de Artes da UFPEL
15h15min – Palestra IV – ICARO – Interdisciplinaridade, Crítica ao Autoritarismo, Regionalidade e Oralidade - O Linear nos Estudos Literários.
Prof. Uruguay Cortazzo Gonzalez – Centro de Letras e Comunicação/UFPel
Moderador (a): Prof. João Luis Pereira Ourique – Centro de Letras e Comunicação/UFPel
16h15min – intervalo/café
16h30min – Palestra V – Territorialidades na fronteira Santana do Livramento, no Brasil e Rivera, Uruguai
Profa. Marta Gomes Lucena – Núcleo de Pesquisa em Ruralidades CPDA da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Moderador (a): Prof. Sidney Gonçalves Vieira – Instituto de Ciências Humanas da UFPEL
17h30min – Lançamento do livro - “A Condição Social Fronteiriça Brasil-Uruguai no Mercosul” de autoria de Marta Gomes Lucena - Série Fronteiras da Integração do Centro de Integração do Mercosul
18h00min – Encerramento
Data: 22/05/12
Local: Centro de Integração do MERCOSUL – Auditório Simon Bolívar
Apoio – Fundação Simon Bolivar
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Música e Espaço
O fim de tarde, calmo. O sol deitando sua luminosidade no rio, insistindo em ficar mais um pouco, sem olvidar porém o seu dever de despertar o outro lado do mundo. Já no alto do cerro vislumbrei a outra ponta do firmamento, mais cerros elevando o horizonte e a lua crescente quase cheia, bem envolvida na moldura azul celeste, a vida neste momento nos trazendo a lição da serenidade pela paisagem. No leste a lua, à oeste o sol, e me faço um peregrino da Terra neste instante. Um dedilhar de guitarra "sureña" começa a fazer sonoridade do sentimento que fluiu, por eu ter me permitido seguir os rastros da natureza que insconsciente intuia. A guitarra no seu apelo, tem o poder de sublimar o que sentimos e externá-lo a ponto de musicar o que nossos olhos enxergam, captam, percebem, refletem e abraçam na paisagem que se forma em nosso encontro com a natureza, o tempo e o espaço. No topo de um cerro, com vista para tudo, os campos, o rio, o horizonte pleno, circundando todas as direções, percebemos o Universo, que somos parte dele, e a Terra no seu "tranquear" cósmico, nos recorda outros tempos e nos possibilita vislumbrar caminhos. Podemos realizar estes exercícios de rumo e caminho, quando encontrarmos um lugar que nos detém pela paisagem e expressão. Bueno, os cerros, o rio, o sol e a lua me detêm no alto de um cerro, onde me "aquerencio" na sombra de uma figueira. De um cerro de Porto Alegre, faço contato com a essência charrua desta terra!Marcos Almeida Pfeifer Outono, Lua Crescente, 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Palavras, silêncio, luz
Venho tranqueando pelos dias. Uns à trote, outros à galope. Tenho visto bastante. Do mundo próximo, que nos circunda. E do mundo longe, distante, mas que nos envolve num círculo maior que é a circunferência do globo terrestre, o Planeta, nosso lugar no Sistema Solar, na Galáxia, e no Universo.
Tem acontecido tanto nestes últimos dias. O mundo passa por transformações econômicas profundas. Sociais e políticas também, mas estas custam mais a serem percebidas. Há muito imediatismo ainda. Cultural, profissional e existencial. Estamos necessitando de pausas e silêncios. Tenho buscado isto, e assim tentar adentrar no compasso do Universo. Ao menos sentir a consciência nesta busca. A paz, a felicidade, ou uma simples, mas vital sensação de relaxamento e alívio consistirá nos próximos tempos em aprender a conviver com menos; para poder aprender e aproveitar mais. Das sensações, dos sabores, dos amores, das amizades, do crescimento das crianças, das mudanças em nossa volta e no mundo. Parar e silenciar para poder refletir nossa essência. Escutar a voz interior, lá da fonte inicial! Para retomar a compreensão do que somos, da onde viemos, o que gostamos, o que queremos, o que seremos e para onde vamos. Neste exercício, tentei retomar o simples. Silenciei, procurando menos. Encontrei o túnel do meu nascimento, ou do instante, do espaço ou dimensão que me trouxe à vida neste Planeta. Enxerguei os quatro anjos que me aguardavam aqui, minha família, e os demais que iriam parceriar minha caminhada; meus amigos. Nesta retomada da luz primeira, além do som do tempo e da natureza, se é que posso materializá-lo numa forma mais palpável. Tem a vibração, a mensagem, o canto e a voz do nosso mestre Jayme Caetano Braun. O payador das Missões, o cantor das três bandeiras, o mensageiro da nação pampeana, trazendo o canto puro da terra à grande nação mundial.
Este gaúcho, exemplificou, demonstrou, cantou nas suas poesias, verdadeiros compêndios e ensinamentos à paz do mundo, a busca do indivíduo através da sua mente e essência, para recompor a sua trajetória. São impressos muitos livros de importantes autores e pensadores sobre a nova ordem mundial. Eventos, fóruns e simpósios são realizados. Gravações, imagens, filmagens e energia são gastos para dizer o que o "paysano" da Timbaúva dizia nos versos, sem gerar qualquer tipo de dispêndio para a terra, para o Planeta.
Quando li os versos: "o silêncio é a luz mais pura, do mundo em que me deparo,
e a luz, é o silêncio claro, na estrada de quem procura..."
Pensei nesta reflexão de Jayme como a profunidade dos profetas, dos visionários, dos mensageiros do tempo e do universo, da ciência e da consciência. Ainda estou tentando entender a mensagem destes versos, espero que os dias me ajudem a decifrá-la. Mas alguém, pode ser Deus, não tenho a prepotência de atribuir seus atos, mas dentro das minhas limitações tentar reconhecer a sua mensagem, talvez algo que tenha no Universo a concepção do amor e da luz, enviado Jayme Caetano Braun para ser o artesão dos caminhos. De religar nosso povo à sua história. De nos ensinar sobre o silêncio, a luz, o vento e a vida. Que o canto dos pássaros nos finais de tarde, é a grande inspiração orquestral para o mais afinado ouvido humano. Que os avós são os luzeiros da nossa memória, os rastros da nossa estrada. Que o campo é o sagrado livro da vida. E que a vida sem o amor feminino, deixa o campo sem flores, a noite sem estrelas, e a vida do "guasca" vazia.
Gracias Don Jayme, por me inspirar meus silêncios a tatear minha luz!
Marcos Almeida Pfeifer
Porto Alegre, 23 de Abril de 2012, Outono, Lua Nova
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Amanhecendo
Bom dia amigos. Mais uma semana começa. Que seja repleta de saúde, paz e harmonia à quem necessitar. Que possamos aprofundar nossos sentidos, aproximando-nos da nossa essência, ampliando nossa percepção da natureza e do Cosmo.
Já vem linda a manhã desta Segunda-feira, em que uma paineira¹ me "saludó" com suas flores roseadas de perspectivas outonais, emoldurada pelo céu azul deste Hemisfério Sul, Pampa. Vejo ali a natureza estendo suas mãos, em abraço materno, trazendo a luz e a energia para as lidas da Semana. Que possamos retribuir seu gesto, sua benção semanal, nos fazendo mais íntegros, do interior para fora, harmonizando nossas casas e nossas famílias, nossas relações, na gratidão natural que nos caracteriza filhos da Terra. Um abração e linda Semana, com este lindo canto crioulo uruguaio e gaúcho.
1 - Paineira - árvore nativa da América do Sul, encontrada também na Bolívia e na maior parte do Brasil, de nome científico Ceiba Spceciosa, catalogada pelo célebre nautralista francês Auguste de Saint-Hilaire. Possuem até 20m de altura. Podem ser localizadas em muitas ruas e parques de Porto Alegre, seu tronco provido de acúleos (espinhos), suas flores geralmente rosadas, além de espécies de floração branca.
"Saludó" - do espanhol saudou, de saudação, cumprimento, aceno.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Escrevo
Escrevo porque a terra me dá energia. Me chama para que manifeste a alma pura da nossa gente, e escreva o sentimento que escorre nas minhas veias como um rio que precisa transportar canoas de felicidade, paz e amor até o cais, a barranca desejada por esta alma. Está quente e mormaçento no Sul, tenho muito trabalho e corrida a fazer, mas tenho que escrever. Escrevo com a sinceridade dos índios da minha terra, pois sinto no olhar guarany, que preciso escrever. Quando caminho e vejo os guapuruvus, jacarandás e corticeiras aguentando firmes as soalheiras do Verão pampeano, e acenando uma compensadora e parceira brisa nos finais de tarde, por esta generosidade, tenho que escrever. Quando os animais me ensinam através da sua singeleza e instinto, que a vida se faz de hábitos, me comunicando de forma sutil das suas necessidades, que chega a ser linda a sua espontaneidade , escrevo! Quando o olhar da morena me traz a noite estrelada, escrevo! Quando vejo nos avós e netos, a divina e fundamental conexão da mensagem e continuidade da vida, escrevo! Quando humildemente ignoro a comunicação imediatista e financeira da midia e da TV com seus reality shows, e mantenho quase que inerte o televisor em minha casa, escrevo. Quando o "recuerdo" da terra que me viu crescer, vem saudoso pela estrada curtida e polvorenta que me leva à fronteira com o Uruguay, olfateando carquejas e macelas no campo, ou cheirando alecrins e manjericão nos pátios dos arrabaldes, silêncio sagrado que só é cortado pelo latir dos cães, que tem procuração divina para interromper a paz das noites interioranas, por isto escrevo.
E para agradecer a companhia, a leitura, a participação e a existência de todos meus amigos, ESCREVO! E deixo pra cevarem um bueno dum mate, a música e as imagens da nossa vizinha Argentina, suas "calles" tão nossas, e o canto de Los Fronterizos, mestres do folklore pampeano. Grande abraço!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Observação do tempo
Os dias que vêm transcorrendo neste início de ano tem sido bem difíceis para a Sul-América. Irmãos no centro do Brasil, estão sofrendo as intempéries características dos Verões em clima tropical de Mata Atlântica, com as enxurradas atuando fortemente nos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Nestes casos, há uma questão que se põe urgente, a de uma reformulação da ocupação urbana e ambiental. É o grande momento para que as autoridades públicas daqueles locais junto à União, iniciem um processo que envolva as comunidades que sofrem com o tempo a cada ínicio de ano, e articulados, construam soluções de uma reocupação ordenada e ambientalmente sustentável do seu espaço urbano. Isto cabe também a todos os grandes e médios centros urbanos do país, e também as pequenas cidades que tenham a ambição material de crescimento. Que se desenvolvam, mas com supremo respeito à natureza, ao ecossistema à que pertencem, onde toda evolução econômica, tecnológica e material, passe antes por esta sensibilidade, de se guiar pelas condições que a natureza propicia para o estabelecimento e desenvolvimento humano do local.
Aqui no Sul, Rio Grande, Uruguai e parte da Argentina, urbanos e rurais convivem com a falta d´água, em algumas regiões mais agravadas que outras. Muitos agricultores com as safras perdidas, pecuaristas dependendo de chuva para molhar a terra e brotar pasto novo, viçoso, e as pessoas da cidade, aguardando a aguada do céu para normalizar o abastecimento, e cessar com o racionamento de água em várias municípios e distritos deste Sul de Continente.
É verdade que quanto mais o tempo passa, e só pode ser assim, questões de várias ordens inquietam o meu andejar charrua, que está na casa dos 31 anos. Dessa forma, neste fim de tarde, ao olhar pras barras dos quatro horizontes, vi o tempo mudando de forma séria e decidida, com a firme atitude de ao regar este pedaço de mundo, repor a esperança na vida, no pasto, nas folhas e árvores nativas que acenarão contentes e plenas após o aguardado afago celeste. E os animais, aguardando dignamente, valorizarão a vida com espontâneo agradecimento ao sorverem a água dos açudes, lagos e rios, trazidas por esta nova chuva, por este novo tempo.
Os intervalos entre calor, intenso e abafante, originando situações drásticas de seca, servem de lição primordial para valorizarmos a água benta, esta sim é benta, que andava ausente. Ou se ausentou a ver se neste período, uma nesga de consciência de respeito e preservação por esta terra, por este Planeta que nos acolhe em vida, acendeu brasas fogoneiras a nos guiarem em nova atitude.
O tempo, ah este velho amigo, nos deu tempo, para pensarmos nossa condição aqui. E de maneira firme mostrou neste começo de ano, a sua intenção em continuar integro para crescermos dentro dele, e a natureza, revigorando a esperança com esta chuva crioula que cai molhando a nossa Pampa, de crescermos felizes na sua, em nossa casa.
Pampa, cielo, cerros, arvoredo que é meu abrigo eterno, e o caminho, meu mestre sereno e forte. No más, um mate e a guitarra de Atahualpa Yupanqui, trazendo em forma de música, a chuva que cai com uma benção para esta minha alma de paysano!
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Com rumo firme e o campo nos olhos!
Buenos dias. Feliz Ano Novo amigos deste espaço de cultura telúrica. No madrugar desta Segunda, no alvorecer de Janeiro, destapo a silhueta do tempo, de um verão surpreendente de temperaturas primaverais, e o céu que reponto nesta hora, azul matinal tingido de serenas nuvens brancas, esparramadas de umidade. Bons indícios de que a chuva não irá se ausentar do Continente chamado Rio Grande, neste principiar de ano. Rezo que a umidade se converta em chuva na metade Norte do Estado, região que sofre estiagem entre o fim da Primavera até agora. No entanto, vale lembrar que esta "falta" do tempo pode ser um indício para refletirmos de que maneira lidamos com a terra. Ou mesmo, sina do tempo, ciclos, vai se saber...
Amigos, quero deixar firme essas palavras, rumos que nos guiarão pela estrada do nosso interior, e se refletirão em atitudes no mundo externo. Reculuto e trago sereno no buçal o flete de 2012. Com alegria, já percebi que as mãos tenras das crianças estão confiantes e com esperança em nós adultos. É de assumir o compromisso, de preservar o puro e limpo que a Terra teima em nos oferecer, mesmo após tantas ofensas que ainda causamos a ela. Sinto receber essa missão, nas mãos das crianças. E nos seus olhares também. Que homem serei se não empenhar minha vida neste projeto?
Vamos madrugar confiantes, de fogão aceso e um canto crioulo na alma. Vamos rondar alertas, as questões que interferem na saúde do Planeta e na nossa (por acaso?) e estiverem sendo decididas nos gabinetes das administrações públicas de nossas cidades, estados e país. Vamos nos mobilizar com proposições diretas aos nossos representantes.
Vou soltando o flete do buçal, e o deixando num potreiro de boa pastagem perto "das casa". Assim mantenho o bom cavalo por perto, para as campereadas de precisão. Firme e alegre, um Feliz Ano Novo a todos meus amigos. E um tema bueno para cevarmos os primeiros mates deste lindo 2012.
Peço permiso e benção ao autor desta obra, e à pessoa generosa que compartilhou este video no youtube.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
O piá, a lua e o homem
A lua em quarto-crescente resplandece no alto do céu ao final da tarde quase veraneira, ainda refrescada pelas brisas da Primavera, onde os jacarandás ofertam flores arroxeadas, que de tão vivas, suas cores abrem caminhos nas retinas quando passa alguma moça de olhos "gateados", vislumbrando a felicidade num encontro de olhares, fugazes, mas também permanentes. A felicidade se expande por todos os ângulos da mirada do homem, que ao mirar a lua em quarto-crescente no momento em que o céu que lhe dá infinita moldura, refaz seu amor cósmico em gradientes de cores, do leve rosado (que me faz lembrar do pêlo do cavalo rosilho), para um tênue azul que vai mansamente avisando que a noite se aproxima.
Nesse momento o homem lembrou do piá, que há mais de vinte anos jogava bola num terreno baldio, com outros da mesma estirpe, gurizada que entardecia e anoitecia na diversão infinda, até que a primeira mãe da vizinhança, largasse o primeiro grito de "venha pra casa guri, tomá banho, que a janta tá quase pronta!".
La pucha que lindo! Não sei porque em certos momentos, em alguns finais de tarde, desses que a Primavera e o Verão romanceiam serenos, o homem recorda o piá, os amigos, e algum amor perdido numa flor de corticeira. E a lua é a culpada, no seu sorriso prateado, cristalino, como a desvendar os segredos e as saudades, abrindo nossa alma, feliz a entonar uma cantiga da terra, de querência, familiares, amigos e amor por esta vida genuína, do piá de fronteira para o homem dos caminhos...
Nesse momento o homem lembrou do piá, que há mais de vinte anos jogava bola num terreno baldio, com outros da mesma estirpe, gurizada que entardecia e anoitecia na diversão infinda, até que a primeira mãe da vizinhança, largasse o primeiro grito de "venha pra casa guri, tomá banho, que a janta tá quase pronta!".
La pucha que lindo! Não sei porque em certos momentos, em alguns finais de tarde, desses que a Primavera e o Verão romanceiam serenos, o homem recorda o piá, os amigos, e algum amor perdido numa flor de corticeira. E a lua é a culpada, no seu sorriso prateado, cristalino, como a desvendar os segredos e as saudades, abrindo nossa alma, feliz a entonar uma cantiga da terra, de querência, familiares, amigos e amor por esta vida genuína, do piá de fronteira para o homem dos caminhos...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Canto de Primavera Linda
O sentimento é um motivo para expressão na arte, e a escrita, os versos ou a verbalização na charla, são os comunicadores do meu sentimento ao mundo e às pessoas. Acredito que em muitos aconteça o mesmo.
Que "cosa buena" serenar um mate nos finais de tarde deste Novembro, que esteve a saudar ventoso os galhos do arvoredo, segredando acordes de milongas, zambas ou vidalas. Que melodia mais linda, a do vento tirando notas das copas dos jacarandás, tipuanas, cinamomos, paineiras, angicos, curunilhas, corticeiras. A cada movimento das árvores, que tenho como irmãs e amigas, um guitarreiro parece bordoneando silente as milongas da alma, ou uma cordeona se abre entregando a alma ao vento, soprando livre na música vibrante, cativante e amiga de um chamame.
Pois o balanço do arvoredo nesta Primavera, bem me lembra a elevação espiritual de um chamame entonado por um Leonel Gomez, um Raul Barboza, um Gilberto Monteiro, Aluisio Rockembach, um Luiz Carlos Borges, um Ernesto Montiel, que nos levam a um novo caminho de um belo porvir, na certeza terrunha dos rastros daqueles que nos sucederam.
Tche que lindo, amigos, repartir com todos estes momentos aqui no blog, servindo um mate com a seiva pampeana que em mim circula, e ofertar o que de mais caro meus sentidos podem captar. Visão, olfato, ar, audição, os aromas silvestres que se percebem intensos nessa época, o caminho que se abre no florir das estradas e dos campos, e a água que espelha a alma, quando o rio nos "regala" um por-de-sol, na generosidade materna com que a Terra nos acolhe a cada dia.
Que "cosa buena" serenar um mate nos finais de tarde deste Novembro, que esteve a saudar ventoso os galhos do arvoredo, segredando acordes de milongas, zambas ou vidalas. Que melodia mais linda, a do vento tirando notas das copas dos jacarandás, tipuanas, cinamomos, paineiras, angicos, curunilhas, corticeiras. A cada movimento das árvores, que tenho como irmãs e amigas, um guitarreiro parece bordoneando silente as milongas da alma, ou uma cordeona se abre entregando a alma ao vento, soprando livre na música vibrante, cativante e amiga de um chamame.
Pois o balanço do arvoredo nesta Primavera, bem me lembra a elevação espiritual de um chamame entonado por um Leonel Gomez, um Raul Barboza, um Gilberto Monteiro, Aluisio Rockembach, um Luiz Carlos Borges, um Ernesto Montiel, que nos levam a um novo caminho de um belo porvir, na certeza terrunha dos rastros daqueles que nos sucederam.
Tche que lindo, amigos, repartir com todos estes momentos aqui no blog, servindo um mate com a seiva pampeana que em mim circula, e ofertar o que de mais caro meus sentidos podem captar. Visão, olfato, ar, audição, os aromas silvestres que se percebem intensos nessa época, o caminho que se abre no florir das estradas e dos campos, e a água que espelha a alma, quando o rio nos "regala" um por-de-sol, na generosidade materna com que a Terra nos acolhe a cada dia.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Na transição do mês
Pois é viventes. Se foi o Outubro e quando percebi, nada havia postado me nosso blog. Bueno, este mês caracterizou-se por uma Primavera com jeito de Outono, com chuvas de volume considerável para o campo nativo, dias de sol suficientes para amadurecer o pasto e as plantas, e com temperaturas amenas, garantindo a retenção de água no solo, ou seja, condições essenciais para o bom andamento da atividade agropastoril, e ainda se desenvolvida de forma sustentável.
Neste intercurso de tempo, além do trabalho, partilha com os amigos e familiares, mudanças de rumos de muitas pessoas queridas, amigos casando, vidas iniciando, crianças crescendo, me tem chegado na companhia dos mates, algumas idéias que achei por transformar em versos simples, de alma nativa e aqui publico alguma coisa. Vamos seguir mateando por aqui...
De Madrugada e Tempo
Madrugada de Primavera,
com cisma ainda de Inverno,
mateio no ritual fraterno,
que há tempo trago comigo,
neste fogonear, lembro os amigos,
na essência de um angico puro cerno.
Às vezes antes da lida,
no momento de calma e luz,
o costume crioulo me conduz,
à versejar campo e frontera,
alma timbrada nas praderas,
que o sol da milonga reluz.
Num bordonear, repasso meu tempo,
notas antigas, guardadas no peito,
lembranças de avós, pelo jeito,
neste cantar feito querência,
assim vou desaguando ausências,
como um rio que corre pro leito.
Marcos Almeida Pfeifer, Outubro 2011, Lua Crescente
Foto: Karen Campani
Neste intercurso de tempo, além do trabalho, partilha com os amigos e familiares, mudanças de rumos de muitas pessoas queridas, amigos casando, vidas iniciando, crianças crescendo, me tem chegado na companhia dos mates, algumas idéias que achei por transformar em versos simples, de alma nativa e aqui publico alguma coisa. Vamos seguir mateando por aqui...
De Madrugada e Tempo
Madrugada de Primavera,
com cisma ainda de Inverno,
mateio no ritual fraterno,
que há tempo trago comigo,
neste fogonear, lembro os amigos,
na essência de um angico puro cerno.
Às vezes antes da lida,
no momento de calma e luz,
o costume crioulo me conduz,
à versejar campo e frontera,
alma timbrada nas praderas,
que o sol da milonga reluz.
Num bordonear, repasso meu tempo,
notas antigas, guardadas no peito,
lembranças de avós, pelo jeito,
neste cantar feito querência,
assim vou desaguando ausências,
como um rio que corre pro leito.
Marcos Almeida Pfeifer, Outubro 2011, Lua Crescente
Foto: Karen Campani
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Serra do Sudeste
Energia. Luz. Mansidão. Ancestralidade. Tempo fundo. Antigo.
Me conheço mais, aí. Lugar que me conhece e onde me conheço.
Em cada volta, novas rimas "cambeiam" , pra minha alma gestar cultura.
Nos parentes, fogões acesos de lar e querência, certeza de ancestralidade.
No sopro do vento, quando cai a tarde na direção do Camaquã, o tempo acaricia as folhas, perfuma as flores e me fala dos avós.
Serra do Sudeste: região de altitude em meio ao pampa do Rio Grande do Sul, cuja formação geológica é conhecida como escudo cristalino sul-riograndense, de altitude de 400m acima do nivel do mar, de campos com aptidão para a ovinocultura e a produção de uvas viníferas. Lugar de belas paisagens, entrecortada por encostas e cerros, várzeas, e banhada pelo sagrado rio Camaquã. Terra de gente muito boa e das minhas raízes paternas.
Me conheço mais, aí. Lugar que me conhece e onde me conheço.
Em cada volta, novas rimas "cambeiam" , pra minha alma gestar cultura.
Nos parentes, fogões acesos de lar e querência, certeza de ancestralidade.
No sopro do vento, quando cai a tarde na direção do Camaquã, o tempo acaricia as folhas, perfuma as flores e me fala dos avós.
Serra do Sudeste: região de altitude em meio ao pampa do Rio Grande do Sul, cuja formação geológica é conhecida como escudo cristalino sul-riograndense, de altitude de 400m acima do nivel do mar, de campos com aptidão para a ovinocultura e a produção de uvas viníferas. Lugar de belas paisagens, entrecortada por encostas e cerros, várzeas, e banhada pelo sagrado rio Camaquã. Terra de gente muito boa e das minhas raízes paternas.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
De campo e Primavera
Buenas andarilhos, campeiros, e amigos que espiam de quando em vez este espaço. "Cosa buena" é falar pra vocês, enquanto cevo um mate hehehe e sorvo daqueles de "yerba verdosa" y buena. Na simplicidade deste gesto e com o cusco do lado, sentindo a brisa mansa dos primeiros ventos que antecedem a chegada da Primavera. Linda é a transição das estações, e a transição de nós mesmos, quando paramos num entardecer de Setembro e repassamos os caminhos, as atitudes, o que é bom seguir, e o que se deve refugar, sincero, de alma aberta para a mensagem da natureza, do céu, da capacidade de afeto dos animais, dos recuerdos doces daquela castanha de olhar esverdeado que pousa no pensamento, mais insistente agora quando as corticeiras ou ceibo regala a flor colorada, símbolo da flora pampeana.
Que cosa buena amigos e amigas, recostar a cambona do sentimento e aquecê-la nos fogões da autenticidade dos ensinamentos da terra (Terra).
Este é daqueles momentos que encontramos Deus, e conversamos com ele, ou com a criação enfim, quando humildemente e de maneira serena nos "abancamos" num cepo pra matear ao som do vento. Este amigo que nos traz tênues cantos crioulos, aromados de pitangas e araçás que toma emprestado da selva ao afinar sua guitarra estradeira nas árvores nativas do nosso pago. Sirvo e passo este mate a vocês!
Aproveito e recomendo o blog do amigo Maurício www.identidadecampeira.blogspot.com
Obrigado a todos que compartilham destes momentos nativos e se fazem membros do blog, o que muito me motiva.
Recomendo também o site do Lisandro Amaral, cantor das coisas charruas e genuínas da nossa cultura, poeta antes de tudo, que está com o Canto Ancestral disponível para que quiser adquirir esta nova obra deste frontero de alma buena. O link é www.lisandroamaral.com.br
E neste Sábado, o Motivos de Campo pela Radio da Universidade 1080 AM ou www.ufrgs.br/radio a partir das 9h.
Grande abraço e muita paz!
Ah um videozito de musica campera porqué no!
Desta feita, no meu sentir uma das mais belas composições da nossa cultura. Acho que até a música inédita mais linda composta no Brasil nos últimos dois anos. Do Gujo Teixeira, José D. Teixeira e Juliano Moreno, com a interpretação da indiada mais que buenas de Lages, o Quarteto Coração de Potro com Adriano Alves lá de Dom Pedrito no recitado. E os créditos para Quel Kramer quem registrou este momento.
Que cosa buena amigos e amigas, recostar a cambona do sentimento e aquecê-la nos fogões da autenticidade dos ensinamentos da terra (Terra).
Este é daqueles momentos que encontramos Deus, e conversamos com ele, ou com a criação enfim, quando humildemente e de maneira serena nos "abancamos" num cepo pra matear ao som do vento. Este amigo que nos traz tênues cantos crioulos, aromados de pitangas e araçás que toma emprestado da selva ao afinar sua guitarra estradeira nas árvores nativas do nosso pago. Sirvo e passo este mate a vocês!
Aproveito e recomendo o blog do amigo Maurício www.identidadecampeira.blogspot.com
Obrigado a todos que compartilham destes momentos nativos e se fazem membros do blog, o que muito me motiva.
Recomendo também o site do Lisandro Amaral, cantor das coisas charruas e genuínas da nossa cultura, poeta antes de tudo, que está com o Canto Ancestral disponível para que quiser adquirir esta nova obra deste frontero de alma buena. O link é www.lisandroamaral.com.br
E neste Sábado, o Motivos de Campo pela Radio da Universidade 1080 AM ou www.ufrgs.br/radio a partir das 9h.
Grande abraço e muita paz!
Ah um videozito de musica campera porqué no!
Desta feita, no meu sentir uma das mais belas composições da nossa cultura. Acho que até a música inédita mais linda composta no Brasil nos últimos dois anos. Do Gujo Teixeira, José D. Teixeira e Juliano Moreno, com a interpretação da indiada mais que buenas de Lages, o Quarteto Coração de Potro com Adriano Alves lá de Dom Pedrito no recitado. E os créditos para Quel Kramer quem registrou este momento.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Hábitos
Hábitos, a primeira impressão desta palavra pode remeter à situações rotineiras, usuais, cotidianas, sem muita importância, de reproduzir todos os dias, sempre o mesmo. Porém os hábitos podem ser uma novidade em nossas vidas, todos os dias. Podemos incorporar hábitos novos, simples, em várias esferas da nossa vida, que aparentemente não representarão muito, mas se várias pessoas se valerem e adotarem bons hábitos, o mundo passará por inesperadas transformações.
É tanto um quanto utópico este simples exercício de pensamento, e para me ajudar um pouco, recorro à máxima do poeta e pensador francês Victor Hugo, divulgada também por Chico Xavier - "Pensamentos tornam-se palavras, palavras tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, e estes nosso destino!"
Mexe com a consciência como se levássemos uma rodada do cavalo que estamos montados, e nos atirasse pealados no capim santo do campo.
Me lembrei dos hábitos porque o 2011 se vai galopando solto no lombo do Agosto, que já está prestes a fazer muda para o Setembro. E se vai ano, "fincado" ligeiro em cancha-reta! Um ano que começou ali, não faz tanto tempo assim, mas se foi criando meio atravessado, desde o deslizamento e as inundações no interior do Rio de Janeiro, das tsunamis e explosões dos reatores das usinas nucleares no Japão, da chuvarada que quase submergiu a área urbana de São Lourenço do Sul aqui no Estado, e da continuidade do descaso e expoliação dos recursos públicos pelos gestores e parlamentares responsáveis pela condução das coisas da República, do povo.
Ainda muitos são, os que continuam olhando a miséria não só material, mas existencial de boa parte da população, como se fosse algo já fadado pelo destino, como se a gestão da pátria pela sociedade que dela faz parte não tivesse qualquer relação com o que enxergamos diriamente nas ruas.
Vejo um país, ou alguns iludidos ou interessados nas divisas particulares que gerará, a realização da Copa do Mundo num país que não consegue tratar decentemente das pessoas que dependem de saúde pública, e atender com eficiência e igualdade a demanda por educação pública, gratuita e de qualidade, que se fazem preementes, devida a exorbitante carga tributária arrecadada para tais fins. Construir estádios, para quê e para quem? Precisamos destinar os recursos materiais e humanos para formar pessoas, cidadãos, para que um dia possam ter a consciência de parar, quem sabe com seus filhos, junto a cabeceira de um rio limpo, num lugar com cheiro puro de terra úmida, e as pessoas possam se reconhecer integrantes deste meio, desta terra, e se reconhecerem. Estaremos resgatando uma dívida com os nossos ancestrais, com a nossa essência e a Terra.
E os hábitos, ficaram esquecidos na poeira que se formou por tanta alusão e estímulo de consumos desnecessários à nossa existência, pois hoje só existimos se tivermos tecnologia de ponta ao nosso alcance? As diversas assinaturas de planos de telefonia, internet - ressalva para esta que é a mais incluidora e democrática das midias - tv´s a cabo, satelite, comidas rápidas, veículos cada vez mais sofisticados e velozes (por que tantos acidentes?), uma indução ao que não estamos preparados mentalmente para absorver, e nunca estaremos, pois a sofisticação que nos conforta artificialmente é a mesma que retira nossa ligação com o nosso Ser, e tudo que se refere naturalmente à vida, à nós e ao Planeta.
Podemos começar cuidando do lixo em nossa casa e escritório, escola, trabalho, cumprimentar e conversar com nossos vizinhos, deixar de ir naquele supermercado famoso ou no hipermercado de luxo, e ir na mercearia do Seu João, apanhar verduras e frutas, comprar carne no açougue, diminuir o impacto econômico que as grande redes praticam sobre o produtor rural, repassando preços abusivos, num processo de alta lucratividade, pagando pouco aos agricultores.
Aos hábitos, me questiono porque os responsáveis pela gestão pública da Capital do Rio Grande do Sul, cidade em que nasci e onde vivo, ou pela governança, termo muito em voga do ponto de vista administrativo que vejo com desconfiança, não repensam a prioridade das políticas públicas - vale para todos os partidos e tendências ideológicas e a sociedade, nós, que os sustentamos eleitoralmente - em potencializar políticas ambientais simples e eficazes, profundas, incentivando a produção holerícola e frutífera na aéra rural de Porto Alegre ao invés de estimular a construção civil de interesse das empreiteiras. Levar a educação e o ensino técnico voltado para o plantio sustentável às comunidades socialmente vulneráveis.
Pelo hábito, falei demais, vou tomar uns mates e seguir peleando neste meu ideal, de terra limpa e vida saudável a todos. Mas antes que o ano se perca a lo largo, reativo os hábitos do mate, do amor à terra e respeito à cultura ancestral, na sabedoria de Don Atahualpa Yupanqui.
Reparem na melodia que começa aos 4m33s do video. Um abraço e muita luz!
De Porto Alegre, Lua Minguante, Agosto 2011
http://www.youtube.com/watch?v=J6VCTo-s00Q
É tanto um quanto utópico este simples exercício de pensamento, e para me ajudar um pouco, recorro à máxima do poeta e pensador francês Victor Hugo, divulgada também por Chico Xavier - "Pensamentos tornam-se palavras, palavras tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, e estes nosso destino!"
Mexe com a consciência como se levássemos uma rodada do cavalo que estamos montados, e nos atirasse pealados no capim santo do campo.
Me lembrei dos hábitos porque o 2011 se vai galopando solto no lombo do Agosto, que já está prestes a fazer muda para o Setembro. E se vai ano, "fincado" ligeiro em cancha-reta! Um ano que começou ali, não faz tanto tempo assim, mas se foi criando meio atravessado, desde o deslizamento e as inundações no interior do Rio de Janeiro, das tsunamis e explosões dos reatores das usinas nucleares no Japão, da chuvarada que quase submergiu a área urbana de São Lourenço do Sul aqui no Estado, e da continuidade do descaso e expoliação dos recursos públicos pelos gestores e parlamentares responsáveis pela condução das coisas da República, do povo.
Ainda muitos são, os que continuam olhando a miséria não só material, mas existencial de boa parte da população, como se fosse algo já fadado pelo destino, como se a gestão da pátria pela sociedade que dela faz parte não tivesse qualquer relação com o que enxergamos diriamente nas ruas.
Vejo um país, ou alguns iludidos ou interessados nas divisas particulares que gerará, a realização da Copa do Mundo num país que não consegue tratar decentemente das pessoas que dependem de saúde pública, e atender com eficiência e igualdade a demanda por educação pública, gratuita e de qualidade, que se fazem preementes, devida a exorbitante carga tributária arrecadada para tais fins. Construir estádios, para quê e para quem? Precisamos destinar os recursos materiais e humanos para formar pessoas, cidadãos, para que um dia possam ter a consciência de parar, quem sabe com seus filhos, junto a cabeceira de um rio limpo, num lugar com cheiro puro de terra úmida, e as pessoas possam se reconhecer integrantes deste meio, desta terra, e se reconhecerem. Estaremos resgatando uma dívida com os nossos ancestrais, com a nossa essência e a Terra.
E os hábitos, ficaram esquecidos na poeira que se formou por tanta alusão e estímulo de consumos desnecessários à nossa existência, pois hoje só existimos se tivermos tecnologia de ponta ao nosso alcance? As diversas assinaturas de planos de telefonia, internet - ressalva para esta que é a mais incluidora e democrática das midias - tv´s a cabo, satelite, comidas rápidas, veículos cada vez mais sofisticados e velozes (por que tantos acidentes?), uma indução ao que não estamos preparados mentalmente para absorver, e nunca estaremos, pois a sofisticação que nos conforta artificialmente é a mesma que retira nossa ligação com o nosso Ser, e tudo que se refere naturalmente à vida, à nós e ao Planeta.
Podemos começar cuidando do lixo em nossa casa e escritório, escola, trabalho, cumprimentar e conversar com nossos vizinhos, deixar de ir naquele supermercado famoso ou no hipermercado de luxo, e ir na mercearia do Seu João, apanhar verduras e frutas, comprar carne no açougue, diminuir o impacto econômico que as grande redes praticam sobre o produtor rural, repassando preços abusivos, num processo de alta lucratividade, pagando pouco aos agricultores.
Aos hábitos, me questiono porque os responsáveis pela gestão pública da Capital do Rio Grande do Sul, cidade em que nasci e onde vivo, ou pela governança, termo muito em voga do ponto de vista administrativo que vejo com desconfiança, não repensam a prioridade das políticas públicas - vale para todos os partidos e tendências ideológicas e a sociedade, nós, que os sustentamos eleitoralmente - em potencializar políticas ambientais simples e eficazes, profundas, incentivando a produção holerícola e frutífera na aéra rural de Porto Alegre ao invés de estimular a construção civil de interesse das empreiteiras. Levar a educação e o ensino técnico voltado para o plantio sustentável às comunidades socialmente vulneráveis.
Pelo hábito, falei demais, vou tomar uns mates e seguir peleando neste meu ideal, de terra limpa e vida saudável a todos. Mas antes que o ano se perca a lo largo, reativo os hábitos do mate, do amor à terra e respeito à cultura ancestral, na sabedoria de Don Atahualpa Yupanqui.
Reparem na melodia que começa aos 4m33s do video. Um abraço e muita luz!
De Porto Alegre, Lua Minguante, Agosto 2011
http://www.youtube.com/watch?v=J6VCTo-s00Q
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Querência e Identidade
Para ti, Celeste.
Essa é para os amigos e para ti Celeste, atletas de futebol de Uruguay, Don Oscar Tabarez, a todo pueblo uruguayo, amigos que conheci ao largo da vida, vivencia fronteriça onde aprendi que a Pátria não se faz com impérios e conquistas, mas com amor à terra, gente trabalhadora, humilde, amistad y fraternidad! É matear con los vecinos aos finais de tarde, é cumprimentar as pessoas na rua, é compreender que a felicidade está no simples da vida. Está na melodia dos sábias entonando hinos na copa de um cinamomo, num mate y galleta, numa guitarra ponteada entre amigos, nas crianças brincando nas calçadas, mirando nosso exemplo! Está em reunir, valorizar e amar a família, e os amigos, naturalmente! Está em rir dos problemas, das dificuldades, e ir tocando a vida em frente, firme como tropeiros conscientes que lá adiante, terá pastagem boa para o gado! Por isso torci por ti Celeste, por teu povo, e continuarei torcendo, pela origem e proximidade que tenho com as tuas raízes, que penso serem as minhas. Ao caminhar nas ruas do teu país, que é o mesmo meu, pois atravessando de Livramento para Rivera, e de lá pra cá tantas vezes, já esqueci em qual país estava. Minha memória e minha alma, já aquerenciaram os dois! Por toda essa vivência de fronteira, desde o meu olhar de menino até meu sentimento de homem, admirando as paysanas dos dois lados, admirando o trabalho e a hospitalidade de seu povo, e em cada passeio e investida na tua terra Celeste, perceber no olhar de muitos hermanos, a dignidade e a felicidade por serem dali, fazerem parte daquela terra, uruguaios que muito trabalham e pouco recebem pelo serviço que fazem, ao longo de tantos anos de dificuldades econômicas e sociais, jamais esmorecem, seguem tentando, trabalhando, trabalhando, criando um serviço ou outro, seguem a vida, a dignificam.
Pelos quileros que cruzam de Mello às Serras do Aceguá, do lado de lá para o lado de cá, apenas levando produtos que são mais baratos ou faltam no seu país, um azeite, farinha, café, açúcar, e são chamados pelas autoridades governamentais dos dois países, de “contrabandistas”! Contrabandistas são os que lidam com armas e drogas, e outros males por aí! Contrabandistas estão nas esferas do executivo e legislativo, realizando contrabando do dinheiro dos nossos impostos para investimentos indevidos, para obras desnecessárias ou eleitoreiras!
Ressaltando que os quileros, são pessoas de poucos recursos e escassas oportunidades de trabalhos, que procuram levar uma vida digna, sem prejudicar a ninguém, apenas compensando à suas parcas vidas econômicas, um pouco de conforto que a proximidade com a fronteira proporciona.
E por toda essa riqueza de humanidade, de saber o simples, de conhecer onde está a aguada pura, a boa invernada, de aprender com o teu, ou o meu povo, a persistência, é que neste 24 de Julho de 2011, fui às lágrimas por ti Celeste.
Acho que é assim que se reconhece uma nação, um sentimento de povo. Continuarei sendo brasileiro, amando meu povo, e a todos os cidadão desse planeta, mas não posso ser hipócrita com a minha alma, os meus sentimentos e raízes que apontam em direção ao Sul, a torcer pela tua bandeira, pelo exemplo de tua gente, como tem sido ao longo da história o exemplo dos teus atletas, das tuas equipes, dos bravos de hoje! Eles são e serão ótima influência e inspiração para as crianças e jovens de todos os cantos do mundo, pela atitude, respeito ao adversário mas com foco no objetivo, principalmente defender com garra, alma e coração as cores da sua bandeira, o seu povo!
Por isso quando olho para os campos se perdendo no verde do horizonte pampeano, vejo uma fronteira se desfazendo, percebo duas pátrias se encontrando! E ao escutar os sons da guitarra nativa y gaucha de Don Pepe Guerra cantando Verde Esperanza, lembrei os olhares de muitos amigos e amigas, paysanos y paysanas que conheço, de amigos que torcem comigo pela equipe uruguaia e pelo povo também, da minha vivência fronteiriça, da saudade de meus pais e da minha Bagé, olhando pro Sul, no costado do Uruguay, por todo esses caminhos de viver, chorei por ti Celeste! De amor e felicidade, tal como o sol que ilumina tua bandeira e teu povo!
Como diz o poeta Marco Antonio Antunes: “al pasar por la frontera, me siento un poco uruguayo, mi lengua es la del corazón, que es la misma en cualquier lado!”
Essa é para os amigos e para ti Celeste, atletas de futebol de Uruguay, Don Oscar Tabarez, a todo pueblo uruguayo, amigos que conheci ao largo da vida, vivencia fronteriça onde aprendi que a Pátria não se faz com impérios e conquistas, mas com amor à terra, gente trabalhadora, humilde, amistad y fraternidad! É matear con los vecinos aos finais de tarde, é cumprimentar as pessoas na rua, é compreender que a felicidade está no simples da vida. Está na melodia dos sábias entonando hinos na copa de um cinamomo, num mate y galleta, numa guitarra ponteada entre amigos, nas crianças brincando nas calçadas, mirando nosso exemplo! Está em reunir, valorizar e amar a família, e os amigos, naturalmente! Está em rir dos problemas, das dificuldades, e ir tocando a vida em frente, firme como tropeiros conscientes que lá adiante, terá pastagem boa para o gado! Por isso torci por ti Celeste, por teu povo, e continuarei torcendo, pela origem e proximidade que tenho com as tuas raízes, que penso serem as minhas. Ao caminhar nas ruas do teu país, que é o mesmo meu, pois atravessando de Livramento para Rivera, e de lá pra cá tantas vezes, já esqueci em qual país estava. Minha memória e minha alma, já aquerenciaram os dois! Por toda essa vivência de fronteira, desde o meu olhar de menino até meu sentimento de homem, admirando as paysanas dos dois lados, admirando o trabalho e a hospitalidade de seu povo, e em cada passeio e investida na tua terra Celeste, perceber no olhar de muitos hermanos, a dignidade e a felicidade por serem dali, fazerem parte daquela terra, uruguaios que muito trabalham e pouco recebem pelo serviço que fazem, ao longo de tantos anos de dificuldades econômicas e sociais, jamais esmorecem, seguem tentando, trabalhando, trabalhando, criando um serviço ou outro, seguem a vida, a dignificam.
Pelos quileros que cruzam de Mello às Serras do Aceguá, do lado de lá para o lado de cá, apenas levando produtos que são mais baratos ou faltam no seu país, um azeite, farinha, café, açúcar, e são chamados pelas autoridades governamentais dos dois países, de “contrabandistas”! Contrabandistas são os que lidam com armas e drogas, e outros males por aí! Contrabandistas estão nas esferas do executivo e legislativo, realizando contrabando do dinheiro dos nossos impostos para investimentos indevidos, para obras desnecessárias ou eleitoreiras!
Ressaltando que os quileros, são pessoas de poucos recursos e escassas oportunidades de trabalhos, que procuram levar uma vida digna, sem prejudicar a ninguém, apenas compensando à suas parcas vidas econômicas, um pouco de conforto que a proximidade com a fronteira proporciona.
E por toda essa riqueza de humanidade, de saber o simples, de conhecer onde está a aguada pura, a boa invernada, de aprender com o teu, ou o meu povo, a persistência, é que neste 24 de Julho de 2011, fui às lágrimas por ti Celeste.
Acho que é assim que se reconhece uma nação, um sentimento de povo. Continuarei sendo brasileiro, amando meu povo, e a todos os cidadão desse planeta, mas não posso ser hipócrita com a minha alma, os meus sentimentos e raízes que apontam em direção ao Sul, a torcer pela tua bandeira, pelo exemplo de tua gente, como tem sido ao longo da história o exemplo dos teus atletas, das tuas equipes, dos bravos de hoje! Eles são e serão ótima influência e inspiração para as crianças e jovens de todos os cantos do mundo, pela atitude, respeito ao adversário mas com foco no objetivo, principalmente defender com garra, alma e coração as cores da sua bandeira, o seu povo!
Por isso quando olho para os campos se perdendo no verde do horizonte pampeano, vejo uma fronteira se desfazendo, percebo duas pátrias se encontrando! E ao escutar os sons da guitarra nativa y gaucha de Don Pepe Guerra cantando Verde Esperanza, lembrei os olhares de muitos amigos e amigas, paysanos y paysanas que conheço, de amigos que torcem comigo pela equipe uruguaia e pelo povo também, da minha vivência fronteiriça, da saudade de meus pais e da minha Bagé, olhando pro Sul, no costado do Uruguay, por todo esses caminhos de viver, chorei por ti Celeste! De amor e felicidade, tal como o sol que ilumina tua bandeira e teu povo!
Como diz o poeta Marco Antonio Antunes: “al pasar por la frontera, me siento un poco uruguayo, mi lengua es la del corazón, que es la misma en cualquier lado!”
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Manhãzita gelada y campo
Amigos, buenos dias. O título assim, na mescla do espanhol e português, pois essa condição de duplo idioma me acompanha desde criança na fronteira, e nos dias de hoje, mesmo residindo em Porto Alegre, o sotaque e a maneira de falar se enraizaram tal qual uma coronilha que nasce entre pedras mouras e campo nativo. Assim, a pampa se aninhou dentro da alma, ou melhor, minh´alma que se "anidó" en la pampa.
Ninho que fiz na copa dos jacarandás da praça nesta manhã, enquanto meu pensamento repontava outras manhãs inverneiras nalgum fundo de campo, pois a sensação de frio polar, com minuano e céu azul, traz à memória o aroma da lenha de mato nativo queimando num brasedo madrugador, enquanto que a fumaça lançada no céu e no espaço, simbolizando o pensamento da gente do galpão, num genuína demonstração de quem cuida querência e sedimenta a pátria, tal como um joão-barreiro faz seu ninho.
Neste Julho gelado que principia, num frio influenciado pelas correntes climáticas austrais, partilho este sentimento de pampa, minunano, fronteira hermanda, porém com muita lenha pra atiçar o fogo e esquentar cambonas para as nossas mateadas Inverno a dentro.
Abaixo un "videozito" do youtube, com Palas Brancos de Fronteira, esta obra-prima do Sérgio Carvalho Pereira e do Lambari, umas das composições que mais genuinamente falam do campo em suas condições climáticas, culturais e ambientais, numa perspectiva de pensamento rara. Um abraço!
Ninho que fiz na copa dos jacarandás da praça nesta manhã, enquanto meu pensamento repontava outras manhãs inverneiras nalgum fundo de campo, pois a sensação de frio polar, com minuano e céu azul, traz à memória o aroma da lenha de mato nativo queimando num brasedo madrugador, enquanto que a fumaça lançada no céu e no espaço, simbolizando o pensamento da gente do galpão, num genuína demonstração de quem cuida querência e sedimenta a pátria, tal como um joão-barreiro faz seu ninho.
Neste Julho gelado que principia, num frio influenciado pelas correntes climáticas austrais, partilho este sentimento de pampa, minunano, fronteira hermanda, porém com muita lenha pra atiçar o fogo e esquentar cambonas para as nossas mateadas Inverno a dentro.
Abaixo un "videozito" do youtube, com Palas Brancos de Fronteira, esta obra-prima do Sérgio Carvalho Pereira e do Lambari, umas das composições que mais genuinamente falam do campo em suas condições climáticas, culturais e ambientais, numa perspectiva de pensamento rara. Um abraço!
domingo, 19 de junho de 2011
Pelos fogões de Junho
Buenas meus hermanos. Ainda que a vida por motivos de trabalho e rotina, me afaste deste nosso espaço nativo na internet, teimo em parar uns bons instantes e tisnar algumas palavras com os amigos.
Um Domingo de noite chuvoso de Junho, de pêlo mouro, é a moldura onde me enquadro pra reencontrar o silêncio necessário à saúde da consciência.
Vivemos num tempo em que não há tempo para quase nada, onde o barulho emitido na realidade das grandes cidades, toma o lugar das melodias do vento e da terra, possíveis de escutar quando nos achamos nalguma moldura campeira.
E fogoneando neste quadro de Junho, onde a lua cheia adormece dentre o véu das nuvens formadas pelo corpo e espírito da Terra, manifestação do Sul-Mestre-Inverneiro, me faço mateador novamente do fogo grande da cultura pampeana, e alcanço este mate a vocês, com a cuia curtida pelo tempo e o valor da saudade, sentida no calor da água e no sabor da erva-mate, como que nos devolvendo a vida.
Um Domingo de noite chuvoso de Junho, de pêlo mouro, é a moldura onde me enquadro pra reencontrar o silêncio necessário à saúde da consciência.
Vivemos num tempo em que não há tempo para quase nada, onde o barulho emitido na realidade das grandes cidades, toma o lugar das melodias do vento e da terra, possíveis de escutar quando nos achamos nalguma moldura campeira.
E fogoneando neste quadro de Junho, onde a lua cheia adormece dentre o véu das nuvens formadas pelo corpo e espírito da Terra, manifestação do Sul-Mestre-Inverneiro, me faço mateador novamente do fogo grande da cultura pampeana, e alcanço este mate a vocês, com a cuia curtida pelo tempo e o valor da saudade, sentida no calor da água e no sabor da erva-mate, como que nos devolvendo a vida.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Lua Cheia de Maio
Depois de mais umas semanas de ausência, retorno com mais pensamentos. Numa noite em que a lua crescente espera seu plenilúnio para a meia-noite de Terça-Feira. Recorrer o céu sob a luz desta lua, é permitir à alma viajar pela energia de luz e paz, com que o Universo nos aguarda, sempre que ampliamos nossa consciência, através da permissão concedida à nossa essência.
É recorrer os verdes campos da infância, alegres e aquecidos pelo sol da inocência, e quão doce é o reencontro com os momentos tenros e sublimes da vida, quando nos permitimos do auto dos trinta anos de idade. Quero portanto nesta noite, do meu chão Austral alçar vôo para o céu Astral, e povoar de quimeras e amores a alma e o coração dos que vierem por aqui, aquecer a cambona para um mate.
É recorrer os verdes campos da infância, alegres e aquecidos pelo sol da inocência, e quão doce é o reencontro com os momentos tenros e sublimes da vida, quando nos permitimos do auto dos trinta anos de idade. Quero portanto nesta noite, do meu chão Austral alçar vôo para o céu Astral, e povoar de quimeras e amores a alma e o coração dos que vierem por aqui, aquecer a cambona para um mate.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O ar das "tonadas" do Hemisfério Sul
Escrevo desde Bagé, paralelo 31°S, região onde habitaram os charruas, nativos da Nação Pampeana, de vida nômade, cujas habitações eram toldos, as tolderias, que caracterizavam a sua presença onde estivessem montadas. Até meados do século XVIII, as tolderias demarcavam lugares do hoje município de Bagé: a Tolderia das Palmas, e a Tolderia dos Cerros, conhecido atualmente como Três Cerros, onde estão localizadas as antenas da emissora de TV local.
Escrevo referenciado nessa ancestralidade de civilização nativa, pois é o sentimento de quem retorna de um grande centro urbano à sua terra adotiva, onde cresci e onde meus pais vivem. Posso considerá-la natal, pois o amor e a raiz me envolvem quando meus olhos tomam a direção da antiga Tolderia dos Cerros, e em alma, renasço então aqui.
Neste retorno, até uma chuva forte na chegada, pra reanimar a terra, e quem vive dela, e toda população da cidade que está sob racionamento d´água. Mais um fato que serve com reflexão para o aumento da nossa consciência ambiental, como tutores e guardiães da Terra, em maiúscula, numa alusão à visão Planetária. E cuidar do planeta, pode começar em nossa rua, em nossa casa, no bairro que habitamos.
E o que motiva este comunicado desta terra de fronteira, é o Outono que já recebe alguns matizes de Inverno, de ar gelado, de "Sur", trazido nos ventos austrais, que recolheram no monte Aconcágua, entre a Argentina e o Chile, sinais de som das guitarras e seus acordes de tonadas "mendocinas", quando sentimos e ouvimos o vento aqui, na porta da fronteira, que se abre para receber nativa, nos seus cerros, nas suas tolderias, o canto crioulo da América Meridional.
Uma Feliz Páscoa, muita luz, paz e alegria!
mendocinas - alusivo à província de Mendoza, noroeste da Argentina, conhecida pelos excelentes varietais viníferos do país, e pela beleza melódica de ritmos como zamba e tonada.
Sur - Sul em espanhol.
austrais - referente ao Sul.
Aconcágua - monte de mais de 6960 m de altura, o mais alto de toda a América, situado na província de Mendoza, no Parque Provincial do Aconcágua, onde em seu cume, se avista à Leste, o deserto que caracteriza a região, e à Oeste o Chile, avistando-se também o Oceano Pacífico.
Escrevo referenciado nessa ancestralidade de civilização nativa, pois é o sentimento de quem retorna de um grande centro urbano à sua terra adotiva, onde cresci e onde meus pais vivem. Posso considerá-la natal, pois o amor e a raiz me envolvem quando meus olhos tomam a direção da antiga Tolderia dos Cerros, e em alma, renasço então aqui.
Neste retorno, até uma chuva forte na chegada, pra reanimar a terra, e quem vive dela, e toda população da cidade que está sob racionamento d´água. Mais um fato que serve com reflexão para o aumento da nossa consciência ambiental, como tutores e guardiães da Terra, em maiúscula, numa alusão à visão Planetária. E cuidar do planeta, pode começar em nossa rua, em nossa casa, no bairro que habitamos.
E o que motiva este comunicado desta terra de fronteira, é o Outono que já recebe alguns matizes de Inverno, de ar gelado, de "Sur", trazido nos ventos austrais, que recolheram no monte Aconcágua, entre a Argentina e o Chile, sinais de som das guitarras e seus acordes de tonadas "mendocinas", quando sentimos e ouvimos o vento aqui, na porta da fronteira, que se abre para receber nativa, nos seus cerros, nas suas tolderias, o canto crioulo da América Meridional.
Uma Feliz Páscoa, muita luz, paz e alegria!
mendocinas - alusivo à província de Mendoza, noroeste da Argentina, conhecida pelos excelentes varietais viníferos do país, e pela beleza melódica de ritmos como zamba e tonada.
Sur - Sul em espanhol.
austrais - referente ao Sul.
Aconcágua - monte de mais de 6960 m de altura, o mais alto de toda a América, situado na província de Mendoza, no Parque Provincial do Aconcágua, onde em seu cume, se avista à Leste, o deserto que caracteriza a região, e à Oeste o Chile, avistando-se também o Oceano Pacífico.
terça-feira, 12 de abril de 2011
O Cantar do Sul em Porto Alegre
Nos dias 15 e 17 desta semana de Abril, um autêntico recital da alma do Sul, do cantar, do sentir poético e fazer melódico da gente sureña, será apresentado na Capital. Roberto Borges, cantor, instrumentista e compositor, e Aluísio Rockembach, acordeonista e compositor, "regalam" ao público que for ao Boteco Tchê, uma amostra sensível, genuína, e de qualidade da musicalidade e cultura do homem do campo da América Meridional, da Pampa, o gaúcho ou el gaucho. Oriundos da região Sul do Rio Grande do Sul, situando Santa Vitória do Palmar e Pelotas, os dois trazem os rastros dos resquícios mais sinceros, singelos e líricos da paisagem Pampa e da alma de sua gente.
Abaixo, um vídeo que mostra um pouco do que aguarda os amigos que forem nas noites de Sexta-Feira e Domingo no Boteco Tchê.
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