segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Com rumo firme e o campo nos olhos!
Buenos dias. Feliz Ano Novo amigos deste espaço de cultura telúrica. No madrugar desta Segunda, no alvorecer de Janeiro, destapo a silhueta do tempo, de um verão surpreendente de temperaturas primaverais, e o céu que reponto nesta hora, azul matinal tingido de serenas nuvens brancas, esparramadas de umidade. Bons indícios de que a chuva não irá se ausentar do Continente chamado Rio Grande, neste principiar de ano. Rezo que a umidade se converta em chuva na metade Norte do Estado, região que sofre estiagem entre o fim da Primavera até agora. No entanto, vale lembrar que esta "falta" do tempo pode ser um indício para refletirmos de que maneira lidamos com a terra. Ou mesmo, sina do tempo, ciclos, vai se saber...
Amigos, quero deixar firme essas palavras, rumos que nos guiarão pela estrada do nosso interior, e se refletirão em atitudes no mundo externo. Reculuto e trago sereno no buçal o flete de 2012. Com alegria, já percebi que as mãos tenras das crianças estão confiantes e com esperança em nós adultos. É de assumir o compromisso, de preservar o puro e limpo que a Terra teima em nos oferecer, mesmo após tantas ofensas que ainda causamos a ela. Sinto receber essa missão, nas mãos das crianças. E nos seus olhares também. Que homem serei se não empenhar minha vida neste projeto?
Vamos madrugar confiantes, de fogão aceso e um canto crioulo na alma. Vamos rondar alertas, as questões que interferem na saúde do Planeta e na nossa (por acaso?) e estiverem sendo decididas nos gabinetes das administrações públicas de nossas cidades, estados e país. Vamos nos mobilizar com proposições diretas aos nossos representantes.
Vou soltando o flete do buçal, e o deixando num potreiro de boa pastagem perto "das casa". Assim mantenho o bom cavalo por perto, para as campereadas de precisão. Firme e alegre, um Feliz Ano Novo a todos meus amigos. E um tema bueno para cevarmos os primeiros mates deste lindo 2012.
Peço permiso e benção ao autor desta obra, e à pessoa generosa que compartilhou este video no youtube.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
O piá, a lua e o homem
A lua em quarto-crescente resplandece no alto do céu ao final da tarde quase veraneira, ainda refrescada pelas brisas da Primavera, onde os jacarandás ofertam flores arroxeadas, que de tão vivas, suas cores abrem caminhos nas retinas quando passa alguma moça de olhos "gateados", vislumbrando a felicidade num encontro de olhares, fugazes, mas também permanentes. A felicidade se expande por todos os ângulos da mirada do homem, que ao mirar a lua em quarto-crescente no momento em que o céu que lhe dá infinita moldura, refaz seu amor cósmico em gradientes de cores, do leve rosado (que me faz lembrar do pêlo do cavalo rosilho), para um tênue azul que vai mansamente avisando que a noite se aproxima.
Nesse momento o homem lembrou do piá, que há mais de vinte anos jogava bola num terreno baldio, com outros da mesma estirpe, gurizada que entardecia e anoitecia na diversão infinda, até que a primeira mãe da vizinhança, largasse o primeiro grito de "venha pra casa guri, tomá banho, que a janta tá quase pronta!".
La pucha que lindo! Não sei porque em certos momentos, em alguns finais de tarde, desses que a Primavera e o Verão romanceiam serenos, o homem recorda o piá, os amigos, e algum amor perdido numa flor de corticeira. E a lua é a culpada, no seu sorriso prateado, cristalino, como a desvendar os segredos e as saudades, abrindo nossa alma, feliz a entonar uma cantiga da terra, de querência, familiares, amigos e amor por esta vida genuína, do piá de fronteira para o homem dos caminhos...
Nesse momento o homem lembrou do piá, que há mais de vinte anos jogava bola num terreno baldio, com outros da mesma estirpe, gurizada que entardecia e anoitecia na diversão infinda, até que a primeira mãe da vizinhança, largasse o primeiro grito de "venha pra casa guri, tomá banho, que a janta tá quase pronta!".
La pucha que lindo! Não sei porque em certos momentos, em alguns finais de tarde, desses que a Primavera e o Verão romanceiam serenos, o homem recorda o piá, os amigos, e algum amor perdido numa flor de corticeira. E a lua é a culpada, no seu sorriso prateado, cristalino, como a desvendar os segredos e as saudades, abrindo nossa alma, feliz a entonar uma cantiga da terra, de querência, familiares, amigos e amor por esta vida genuína, do piá de fronteira para o homem dos caminhos...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Canto de Primavera Linda
O sentimento é um motivo para expressão na arte, e a escrita, os versos ou a verbalização na charla, são os comunicadores do meu sentimento ao mundo e às pessoas. Acredito que em muitos aconteça o mesmo.
Que "cosa buena" serenar um mate nos finais de tarde deste Novembro, que esteve a saudar ventoso os galhos do arvoredo, segredando acordes de milongas, zambas ou vidalas. Que melodia mais linda, a do vento tirando notas das copas dos jacarandás, tipuanas, cinamomos, paineiras, angicos, curunilhas, corticeiras. A cada movimento das árvores, que tenho como irmãs e amigas, um guitarreiro parece bordoneando silente as milongas da alma, ou uma cordeona se abre entregando a alma ao vento, soprando livre na música vibrante, cativante e amiga de um chamame.
Pois o balanço do arvoredo nesta Primavera, bem me lembra a elevação espiritual de um chamame entonado por um Leonel Gomez, um Raul Barboza, um Gilberto Monteiro, Aluisio Rockembach, um Luiz Carlos Borges, um Ernesto Montiel, que nos levam a um novo caminho de um belo porvir, na certeza terrunha dos rastros daqueles que nos sucederam.
Tche que lindo, amigos, repartir com todos estes momentos aqui no blog, servindo um mate com a seiva pampeana que em mim circula, e ofertar o que de mais caro meus sentidos podem captar. Visão, olfato, ar, audição, os aromas silvestres que se percebem intensos nessa época, o caminho que se abre no florir das estradas e dos campos, e a água que espelha a alma, quando o rio nos "regala" um por-de-sol, na generosidade materna com que a Terra nos acolhe a cada dia.
Que "cosa buena" serenar um mate nos finais de tarde deste Novembro, que esteve a saudar ventoso os galhos do arvoredo, segredando acordes de milongas, zambas ou vidalas. Que melodia mais linda, a do vento tirando notas das copas dos jacarandás, tipuanas, cinamomos, paineiras, angicos, curunilhas, corticeiras. A cada movimento das árvores, que tenho como irmãs e amigas, um guitarreiro parece bordoneando silente as milongas da alma, ou uma cordeona se abre entregando a alma ao vento, soprando livre na música vibrante, cativante e amiga de um chamame.
Pois o balanço do arvoredo nesta Primavera, bem me lembra a elevação espiritual de um chamame entonado por um Leonel Gomez, um Raul Barboza, um Gilberto Monteiro, Aluisio Rockembach, um Luiz Carlos Borges, um Ernesto Montiel, que nos levam a um novo caminho de um belo porvir, na certeza terrunha dos rastros daqueles que nos sucederam.
Tche que lindo, amigos, repartir com todos estes momentos aqui no blog, servindo um mate com a seiva pampeana que em mim circula, e ofertar o que de mais caro meus sentidos podem captar. Visão, olfato, ar, audição, os aromas silvestres que se percebem intensos nessa época, o caminho que se abre no florir das estradas e dos campos, e a água que espelha a alma, quando o rio nos "regala" um por-de-sol, na generosidade materna com que a Terra nos acolhe a cada dia.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Na transição do mês
Pois é viventes. Se foi o Outubro e quando percebi, nada havia postado me nosso blog. Bueno, este mês caracterizou-se por uma Primavera com jeito de Outono, com chuvas de volume considerável para o campo nativo, dias de sol suficientes para amadurecer o pasto e as plantas, e com temperaturas amenas, garantindo a retenção de água no solo, ou seja, condições essenciais para o bom andamento da atividade agropastoril, e ainda se desenvolvida de forma sustentável.
Neste intercurso de tempo, além do trabalho, partilha com os amigos e familiares, mudanças de rumos de muitas pessoas queridas, amigos casando, vidas iniciando, crianças crescendo, me tem chegado na companhia dos mates, algumas idéias que achei por transformar em versos simples, de alma nativa e aqui publico alguma coisa. Vamos seguir mateando por aqui...
De Madrugada e Tempo
Madrugada de Primavera,
com cisma ainda de Inverno,
mateio no ritual fraterno,
que há tempo trago comigo,
neste fogonear, lembro os amigos,
na essência de um angico puro cerno.
Às vezes antes da lida,
no momento de calma e luz,
o costume crioulo me conduz,
à versejar campo e frontera,
alma timbrada nas praderas,
que o sol da milonga reluz.
Num bordonear, repasso meu tempo,
notas antigas, guardadas no peito,
lembranças de avós, pelo jeito,
neste cantar feito querência,
assim vou desaguando ausências,
como um rio que corre pro leito.
Marcos Almeida Pfeifer, Outubro 2011, Lua Crescente
Foto: Karen Campani
Neste intercurso de tempo, além do trabalho, partilha com os amigos e familiares, mudanças de rumos de muitas pessoas queridas, amigos casando, vidas iniciando, crianças crescendo, me tem chegado na companhia dos mates, algumas idéias que achei por transformar em versos simples, de alma nativa e aqui publico alguma coisa. Vamos seguir mateando por aqui...
De Madrugada e Tempo
Madrugada de Primavera,
com cisma ainda de Inverno,
mateio no ritual fraterno,
que há tempo trago comigo,
neste fogonear, lembro os amigos,
na essência de um angico puro cerno.
Às vezes antes da lida,
no momento de calma e luz,
o costume crioulo me conduz,
à versejar campo e frontera,
alma timbrada nas praderas,
que o sol da milonga reluz.
Num bordonear, repasso meu tempo,
notas antigas, guardadas no peito,
lembranças de avós, pelo jeito,
neste cantar feito querência,
assim vou desaguando ausências,
como um rio que corre pro leito.
Marcos Almeida Pfeifer, Outubro 2011, Lua Crescente
Foto: Karen Campani
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Serra do Sudeste
Energia. Luz. Mansidão. Ancestralidade. Tempo fundo. Antigo.
Me conheço mais, aí. Lugar que me conhece e onde me conheço.
Em cada volta, novas rimas "cambeiam" , pra minha alma gestar cultura.
Nos parentes, fogões acesos de lar e querência, certeza de ancestralidade.
No sopro do vento, quando cai a tarde na direção do Camaquã, o tempo acaricia as folhas, perfuma as flores e me fala dos avós.
Serra do Sudeste: região de altitude em meio ao pampa do Rio Grande do Sul, cuja formação geológica é conhecida como escudo cristalino sul-riograndense, de altitude de 400m acima do nivel do mar, de campos com aptidão para a ovinocultura e a produção de uvas viníferas. Lugar de belas paisagens, entrecortada por encostas e cerros, várzeas, e banhada pelo sagrado rio Camaquã. Terra de gente muito boa e das minhas raízes paternas.
Me conheço mais, aí. Lugar que me conhece e onde me conheço.
Em cada volta, novas rimas "cambeiam" , pra minha alma gestar cultura.
Nos parentes, fogões acesos de lar e querência, certeza de ancestralidade.
No sopro do vento, quando cai a tarde na direção do Camaquã, o tempo acaricia as folhas, perfuma as flores e me fala dos avós.
Serra do Sudeste: região de altitude em meio ao pampa do Rio Grande do Sul, cuja formação geológica é conhecida como escudo cristalino sul-riograndense, de altitude de 400m acima do nivel do mar, de campos com aptidão para a ovinocultura e a produção de uvas viníferas. Lugar de belas paisagens, entrecortada por encostas e cerros, várzeas, e banhada pelo sagrado rio Camaquã. Terra de gente muito boa e das minhas raízes paternas.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
De campo e Primavera
Buenas andarilhos, campeiros, e amigos que espiam de quando em vez este espaço. "Cosa buena" é falar pra vocês, enquanto cevo um mate hehehe e sorvo daqueles de "yerba verdosa" y buena. Na simplicidade deste gesto e com o cusco do lado, sentindo a brisa mansa dos primeiros ventos que antecedem a chegada da Primavera. Linda é a transição das estações, e a transição de nós mesmos, quando paramos num entardecer de Setembro e repassamos os caminhos, as atitudes, o que é bom seguir, e o que se deve refugar, sincero, de alma aberta para a mensagem da natureza, do céu, da capacidade de afeto dos animais, dos recuerdos doces daquela castanha de olhar esverdeado que pousa no pensamento, mais insistente agora quando as corticeiras ou ceibo regala a flor colorada, símbolo da flora pampeana.
Que cosa buena amigos e amigas, recostar a cambona do sentimento e aquecê-la nos fogões da autenticidade dos ensinamentos da terra (Terra).
Este é daqueles momentos que encontramos Deus, e conversamos com ele, ou com a criação enfim, quando humildemente e de maneira serena nos "abancamos" num cepo pra matear ao som do vento. Este amigo que nos traz tênues cantos crioulos, aromados de pitangas e araçás que toma emprestado da selva ao afinar sua guitarra estradeira nas árvores nativas do nosso pago. Sirvo e passo este mate a vocês!
Aproveito e recomendo o blog do amigo Maurício www.identidadecampeira.blogspot.com
Obrigado a todos que compartilham destes momentos nativos e se fazem membros do blog, o que muito me motiva.
Recomendo também o site do Lisandro Amaral, cantor das coisas charruas e genuínas da nossa cultura, poeta antes de tudo, que está com o Canto Ancestral disponível para que quiser adquirir esta nova obra deste frontero de alma buena. O link é www.lisandroamaral.com.br
E neste Sábado, o Motivos de Campo pela Radio da Universidade 1080 AM ou www.ufrgs.br/radio a partir das 9h.
Grande abraço e muita paz!
Ah um videozito de musica campera porqué no!
Desta feita, no meu sentir uma das mais belas composições da nossa cultura. Acho que até a música inédita mais linda composta no Brasil nos últimos dois anos. Do Gujo Teixeira, José D. Teixeira e Juliano Moreno, com a interpretação da indiada mais que buenas de Lages, o Quarteto Coração de Potro com Adriano Alves lá de Dom Pedrito no recitado. E os créditos para Quel Kramer quem registrou este momento.
Que cosa buena amigos e amigas, recostar a cambona do sentimento e aquecê-la nos fogões da autenticidade dos ensinamentos da terra (Terra).
Este é daqueles momentos que encontramos Deus, e conversamos com ele, ou com a criação enfim, quando humildemente e de maneira serena nos "abancamos" num cepo pra matear ao som do vento. Este amigo que nos traz tênues cantos crioulos, aromados de pitangas e araçás que toma emprestado da selva ao afinar sua guitarra estradeira nas árvores nativas do nosso pago. Sirvo e passo este mate a vocês!
Aproveito e recomendo o blog do amigo Maurício www.identidadecampeira.blogspot.com
Obrigado a todos que compartilham destes momentos nativos e se fazem membros do blog, o que muito me motiva.
Recomendo também o site do Lisandro Amaral, cantor das coisas charruas e genuínas da nossa cultura, poeta antes de tudo, que está com o Canto Ancestral disponível para que quiser adquirir esta nova obra deste frontero de alma buena. O link é www.lisandroamaral.com.br
E neste Sábado, o Motivos de Campo pela Radio da Universidade 1080 AM ou www.ufrgs.br/radio a partir das 9h.
Grande abraço e muita paz!
Ah um videozito de musica campera porqué no!
Desta feita, no meu sentir uma das mais belas composições da nossa cultura. Acho que até a música inédita mais linda composta no Brasil nos últimos dois anos. Do Gujo Teixeira, José D. Teixeira e Juliano Moreno, com a interpretação da indiada mais que buenas de Lages, o Quarteto Coração de Potro com Adriano Alves lá de Dom Pedrito no recitado. E os créditos para Quel Kramer quem registrou este momento.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Hábitos
Hábitos, a primeira impressão desta palavra pode remeter à situações rotineiras, usuais, cotidianas, sem muita importância, de reproduzir todos os dias, sempre o mesmo. Porém os hábitos podem ser uma novidade em nossas vidas, todos os dias. Podemos incorporar hábitos novos, simples, em várias esferas da nossa vida, que aparentemente não representarão muito, mas se várias pessoas se valerem e adotarem bons hábitos, o mundo passará por inesperadas transformações.
É tanto um quanto utópico este simples exercício de pensamento, e para me ajudar um pouco, recorro à máxima do poeta e pensador francês Victor Hugo, divulgada também por Chico Xavier - "Pensamentos tornam-se palavras, palavras tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, e estes nosso destino!"
Mexe com a consciência como se levássemos uma rodada do cavalo que estamos montados, e nos atirasse pealados no capim santo do campo.
Me lembrei dos hábitos porque o 2011 se vai galopando solto no lombo do Agosto, que já está prestes a fazer muda para o Setembro. E se vai ano, "fincado" ligeiro em cancha-reta! Um ano que começou ali, não faz tanto tempo assim, mas se foi criando meio atravessado, desde o deslizamento e as inundações no interior do Rio de Janeiro, das tsunamis e explosões dos reatores das usinas nucleares no Japão, da chuvarada que quase submergiu a área urbana de São Lourenço do Sul aqui no Estado, e da continuidade do descaso e expoliação dos recursos públicos pelos gestores e parlamentares responsáveis pela condução das coisas da República, do povo.
Ainda muitos são, os que continuam olhando a miséria não só material, mas existencial de boa parte da população, como se fosse algo já fadado pelo destino, como se a gestão da pátria pela sociedade que dela faz parte não tivesse qualquer relação com o que enxergamos diriamente nas ruas.
Vejo um país, ou alguns iludidos ou interessados nas divisas particulares que gerará, a realização da Copa do Mundo num país que não consegue tratar decentemente das pessoas que dependem de saúde pública, e atender com eficiência e igualdade a demanda por educação pública, gratuita e de qualidade, que se fazem preementes, devida a exorbitante carga tributária arrecadada para tais fins. Construir estádios, para quê e para quem? Precisamos destinar os recursos materiais e humanos para formar pessoas, cidadãos, para que um dia possam ter a consciência de parar, quem sabe com seus filhos, junto a cabeceira de um rio limpo, num lugar com cheiro puro de terra úmida, e as pessoas possam se reconhecer integrantes deste meio, desta terra, e se reconhecerem. Estaremos resgatando uma dívida com os nossos ancestrais, com a nossa essência e a Terra.
E os hábitos, ficaram esquecidos na poeira que se formou por tanta alusão e estímulo de consumos desnecessários à nossa existência, pois hoje só existimos se tivermos tecnologia de ponta ao nosso alcance? As diversas assinaturas de planos de telefonia, internet - ressalva para esta que é a mais incluidora e democrática das midias - tv´s a cabo, satelite, comidas rápidas, veículos cada vez mais sofisticados e velozes (por que tantos acidentes?), uma indução ao que não estamos preparados mentalmente para absorver, e nunca estaremos, pois a sofisticação que nos conforta artificialmente é a mesma que retira nossa ligação com o nosso Ser, e tudo que se refere naturalmente à vida, à nós e ao Planeta.
Podemos começar cuidando do lixo em nossa casa e escritório, escola, trabalho, cumprimentar e conversar com nossos vizinhos, deixar de ir naquele supermercado famoso ou no hipermercado de luxo, e ir na mercearia do Seu João, apanhar verduras e frutas, comprar carne no açougue, diminuir o impacto econômico que as grande redes praticam sobre o produtor rural, repassando preços abusivos, num processo de alta lucratividade, pagando pouco aos agricultores.
Aos hábitos, me questiono porque os responsáveis pela gestão pública da Capital do Rio Grande do Sul, cidade em que nasci e onde vivo, ou pela governança, termo muito em voga do ponto de vista administrativo que vejo com desconfiança, não repensam a prioridade das políticas públicas - vale para todos os partidos e tendências ideológicas e a sociedade, nós, que os sustentamos eleitoralmente - em potencializar políticas ambientais simples e eficazes, profundas, incentivando a produção holerícola e frutífera na aéra rural de Porto Alegre ao invés de estimular a construção civil de interesse das empreiteiras. Levar a educação e o ensino técnico voltado para o plantio sustentável às comunidades socialmente vulneráveis.
Pelo hábito, falei demais, vou tomar uns mates e seguir peleando neste meu ideal, de terra limpa e vida saudável a todos. Mas antes que o ano se perca a lo largo, reativo os hábitos do mate, do amor à terra e respeito à cultura ancestral, na sabedoria de Don Atahualpa Yupanqui.
Reparem na melodia que começa aos 4m33s do video. Um abraço e muita luz!
De Porto Alegre, Lua Minguante, Agosto 2011
http://www.youtube.com/watch?v=J6VCTo-s00Q
É tanto um quanto utópico este simples exercício de pensamento, e para me ajudar um pouco, recorro à máxima do poeta e pensador francês Victor Hugo, divulgada também por Chico Xavier - "Pensamentos tornam-se palavras, palavras tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, e estes nosso destino!"
Mexe com a consciência como se levássemos uma rodada do cavalo que estamos montados, e nos atirasse pealados no capim santo do campo.
Me lembrei dos hábitos porque o 2011 se vai galopando solto no lombo do Agosto, que já está prestes a fazer muda para o Setembro. E se vai ano, "fincado" ligeiro em cancha-reta! Um ano que começou ali, não faz tanto tempo assim, mas se foi criando meio atravessado, desde o deslizamento e as inundações no interior do Rio de Janeiro, das tsunamis e explosões dos reatores das usinas nucleares no Japão, da chuvarada que quase submergiu a área urbana de São Lourenço do Sul aqui no Estado, e da continuidade do descaso e expoliação dos recursos públicos pelos gestores e parlamentares responsáveis pela condução das coisas da República, do povo.
Ainda muitos são, os que continuam olhando a miséria não só material, mas existencial de boa parte da população, como se fosse algo já fadado pelo destino, como se a gestão da pátria pela sociedade que dela faz parte não tivesse qualquer relação com o que enxergamos diriamente nas ruas.
Vejo um país, ou alguns iludidos ou interessados nas divisas particulares que gerará, a realização da Copa do Mundo num país que não consegue tratar decentemente das pessoas que dependem de saúde pública, e atender com eficiência e igualdade a demanda por educação pública, gratuita e de qualidade, que se fazem preementes, devida a exorbitante carga tributária arrecadada para tais fins. Construir estádios, para quê e para quem? Precisamos destinar os recursos materiais e humanos para formar pessoas, cidadãos, para que um dia possam ter a consciência de parar, quem sabe com seus filhos, junto a cabeceira de um rio limpo, num lugar com cheiro puro de terra úmida, e as pessoas possam se reconhecer integrantes deste meio, desta terra, e se reconhecerem. Estaremos resgatando uma dívida com os nossos ancestrais, com a nossa essência e a Terra.
E os hábitos, ficaram esquecidos na poeira que se formou por tanta alusão e estímulo de consumos desnecessários à nossa existência, pois hoje só existimos se tivermos tecnologia de ponta ao nosso alcance? As diversas assinaturas de planos de telefonia, internet - ressalva para esta que é a mais incluidora e democrática das midias - tv´s a cabo, satelite, comidas rápidas, veículos cada vez mais sofisticados e velozes (por que tantos acidentes?), uma indução ao que não estamos preparados mentalmente para absorver, e nunca estaremos, pois a sofisticação que nos conforta artificialmente é a mesma que retira nossa ligação com o nosso Ser, e tudo que se refere naturalmente à vida, à nós e ao Planeta.
Podemos começar cuidando do lixo em nossa casa e escritório, escola, trabalho, cumprimentar e conversar com nossos vizinhos, deixar de ir naquele supermercado famoso ou no hipermercado de luxo, e ir na mercearia do Seu João, apanhar verduras e frutas, comprar carne no açougue, diminuir o impacto econômico que as grande redes praticam sobre o produtor rural, repassando preços abusivos, num processo de alta lucratividade, pagando pouco aos agricultores.
Aos hábitos, me questiono porque os responsáveis pela gestão pública da Capital do Rio Grande do Sul, cidade em que nasci e onde vivo, ou pela governança, termo muito em voga do ponto de vista administrativo que vejo com desconfiança, não repensam a prioridade das políticas públicas - vale para todos os partidos e tendências ideológicas e a sociedade, nós, que os sustentamos eleitoralmente - em potencializar políticas ambientais simples e eficazes, profundas, incentivando a produção holerícola e frutífera na aéra rural de Porto Alegre ao invés de estimular a construção civil de interesse das empreiteiras. Levar a educação e o ensino técnico voltado para o plantio sustentável às comunidades socialmente vulneráveis.
Pelo hábito, falei demais, vou tomar uns mates e seguir peleando neste meu ideal, de terra limpa e vida saudável a todos. Mas antes que o ano se perca a lo largo, reativo os hábitos do mate, do amor à terra e respeito à cultura ancestral, na sabedoria de Don Atahualpa Yupanqui.
Reparem na melodia que começa aos 4m33s do video. Um abraço e muita luz!
De Porto Alegre, Lua Minguante, Agosto 2011
http://www.youtube.com/watch?v=J6VCTo-s00Q
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